A Bela e a
Fera
Conto dos Irmãos Grimm
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Há muitos anos, em uma terra distante, viviam um mercador e suas três filhas. A mais jovem era a mais linda e carinhosa, por isso era chamada de "BELA".
Um dia, o
pai teve de viajar para longe a negócios. Reuniu as suas filhas e
disse:
O homem partiu, concluiu os seus negócios, pôs-se na estrada para a volta. Tanta era a vontade de abraçar as filhas, que viajou por muito tempo sem descansar. Estava muito cansado e faminto, quando, à pouca distância de casa, foi surpreendido, em uma mata, por furiosa tempestade, que o fez perder o caminho.
Desesperado, começou a vagar em busca de uma pousada, quando, de repente, descobriu ao longe uma luz fraca. Com as forças que lhe restavam dirigiu-se para aquela última esperança. Chegou a um magnífico palácio, cujo portão encontrava-se aberto e acolhedor.
Bateu
várias vezes, mas não obteve resposta. Então, decidiu entrar para
esquentar-se e esperar os donos da casa. O interior era suntuoso,
ricamente iluminado e mobiliado de maneira esquisita. O velho mercador
ficou defronte da lareira para enxugar-se e percebeu que havia uma mesa
para uma pessoa, com comida quente e vinho delicioso. Extenuado e faminto,
sentou-se e começou a devorar tudo. Atraído, depois, pela luz que saía de
um quarto vizinho, foi para lá. Era uma grande sala com uma cama
acolhedora, onde se esticou, adormecendo logo, tão cansado estava. De
manhã, ao acordar, havia, à sua espera, ao lado da cama, vestimentas
limpas. Na mesa, outra refeição muito farta parecia estar pronta para ele.
Repousado e satisfeito, o pai de Bela saiu do palácio, perguntando-se,
espantado, por que não havia se encontrado com nenhuma pessoa.
Parou e colheu a mais perfumada flor. Ouviu, então, atrás de si um rugido pavoroso. Deparou-se com um ser monstruoso que lhe disse: - É assim que pagas a minha hospitalidade: roubando
as minhas rosas? Como castigo, sou obrigado a matar-te!
Chegada à morada do monstro, Bela encontrou tudo como lhe havia descrito o pai. Também não conseguiu encontrar alma viva.
Pôs-se então a visitar o palácio e, qual não foi a sua surpresa, quando, chegando a uma extraordinária porta, leu ali a inscrição com caracteres dourados: "Apartamento de Bela". Entrou e se encontrou em uma grande ala do palácio, luminosa e esplêndida. Das janelas havia uma encantadora vista para o jardim. Na hora do almoço, ouviu bater e se aproximou, temerosa, da porta. Abriu-a com cautela e se encontrou diante da Fera.
Amedrontada, retornou e fugiu através da salas. Alcançada a última, percebeu que fora seguida pelo monstro. Sentiu-se perdida e já ia implorar piedade ao terrível ser, quando este, com um grunhido gentil e suplicante lhe disse: - Sei que
tenho um aspecto horrível e me desculpo; mas não sou mau e espero que a
minha companhia, um dia, possa ser-te agradável. Para o momento, queria
pedir-te, se podes honrar-me com tua presença no jantar.
Uma tarde,
a Fera levou Bela à parte e, timidamente, lhe disse:
Quando o pai viu Bela voltar, não acreditou nos próprios olhos, pois já a imaginava devorada pelo monstro. Abraçou-a e a cobriu de beijos. Começaram a contar tudo que lhes acontecera neste tempo que se encontraram separados e os dias passaram tão velozes que Bela não percebeu que já haviam transcorridos bem mais dos sete dia determinados para sua volta. Uma noite,
em sonhos, viu a Fera morta perto da roseira. Lembrou-se da promessa e
correu desesperadamente ao palácio. Perto da roseira, realmente, encontrou
a Fera que morria. Então, Bela a abraçou forte, dizendo: Ao ouvir aquelas palavras, a Fera abriu os olhos e soltou um sorriso radioso e diante de grande espanto de Bela começou a transformar-se em um esplêndido jovem,que olhando-a comovido, disse:
- Um bruxo malvado através de um encantamento me
prendeu naquele corpo monstruoso. Somente quando uma moça se apaixonasse
pela Fera eu seria liberto. E fostes tu, Bela, a minha
salvadora.
Bela não o fez repetir o pedido e a partir de então viveram felizes e apaixonados. |
Entrou por uma porta
e saiu por outra...
Quem quiser que conte outra!