ALI BABÁ E OS
QUARENTA LADRÕES
Conto das Mil e uma Noites
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Há muito,
muito tempo, numa cidade lá para os lados do Oriente, vivia Ali Babá, que
ganhava a vida comprando e vendendo coisas nas aldeias próximas à sua.
Então,
espantadíssimo, Ali Babá viu o chefe aproximar-se da parede rochosa e
gritar:
Entrou na gruta e viu, espantado, que ela albergava um precioso tesouro, proveniente dos roubos que os homens vinham praticando nas cidades da região. Então, carregou o que pode num saco e voltou para casa. No dia seguinte, pedindo segredo, contou tudo ao seu irmão mais velho Kasim.
Kasim era muito ganancioso e não se contentava com pouco. Queria levar todo o ouro, todas as pedras preciosas, a caverna inteira. Por várias vezes fez o percurso até a caverna dos ladrões, levando cada vez mais tesouros.
Numa destas vezes, quando estava com os sacos quase todos cheios, os ladrões regressaram para guardar mais coisas roubadas e, ao verem-no, pois não havia como esconder-se, condenaram-no a ficar fechado na gruta. Preocupado com o desaparecimento do irmão, Ali Babá decidiu ir procurá-lo na gruta. Logo que entrou, viu-o atado de pés e mãos, jogado a um canto. Desamarrou-o e foram-se embora correndo, por entre juras de nunca mais ali voltarem. Quando os ladrões regressaram à gruta e verificaram que o prisioneiro havia desaparecido, decidiram encontrá-lo e ao outro que o tinha ajudado, pois é claro que ele não conseguiria evadir-se só.
- Já são pelo menos duas pessoas que conhecem o segredo do nosso esconderijo. Temos que encontrá-las a qualquer custo, disse o chefe dos ladrões. Vamos procurá-las e isso é urgente! Eu me farei passar por mercador e baterei de porta em porta, em todas as cidades da região. Cada um de vós ficará escondido num vasilhame de azeite. Encherei um com azeite, para disfarçar e haveremos de descobrir os nossos invasores.
Lá se foram os ladrões, de cidade em cidade, seguindo o plano que tinham idealizado, para a sua vingança. Chegando à casa de Kasim, o chefe dos ladrões imediatamente o reconheceu.
Pediu-lhe alojamento, elogiou o seu próprio azeite, dando a Kasim uma amostra dele para uso. Kasim de nada desconfiou. A criada de Ali Babá, que era muito esperta e inteligente, desconfiou ao ver o mercador falando sozinho com um dos vasilhames.
Percebeu
depois, durante o jantar, um ruido diferente perto dos vasilhames de
azeite do mercador. Frahazada, aproximou-se sem fazer barulho e ouviu os
ladrões cochichando, de um para outro vasilhame, como se fosse uma
corrente:
Frahazada correu a contar a Ali Babá a estranha coisa que tinha ouvido. Resolveram, então, ferver um alguidar de azeite e despejá-lo em cada pote onde se escondiam os malvados ladrões.
Estes, fugiram aterrorizados, com exceção do chefe, que foi preso e entregue aos guardas do rei.
Kasim,
agradecido, comprometeu-se a dar metade da sua fortuna ao irmão.
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Entrou por uma
porta e saiu por outra...
Quem quiser que conte outra!