A Cigarra e a Formiga
Fábula de Esopo

 

Soraia era uma formiga que vivia num grande formigueiro lá no fundo do quintal. 

Logo que acordou, Soraia viu o sol a brilhar e pensou:
- Que bom, mais um dia de verão!
E saiu para trabalhar.
Ela e suas amigas trabalham carregando gravetos e grãos.

Existem as formigas que trabalham como operárias e outras que trabalham como soldados, vigiando e protegendo o formigueiro o dia todo.

     

Às vezes, as formigas operárias percorrem longas trilhas à procura de alimentos e chegam a subir em árvores para pegar folhinhas frescas. 

Vejam só! Soraia pegou uma folha enorme! Apesar de pequenas, as formigas conseguem carregar folhas muito pesadas.

De repente, no meio de um dia de trabalho, Soraia ouviu uma canção. Olhou para cima, pois o som parecia vir do céu! Era Jacira, a cigarra que, sentada no galho mais alto de uma grande árvore, cantava sem parar.

A formiguinha tentou chamá-la para conversar, mas a cigarra não lhe deu a menor atenção, continuando a cantar. Outro dia amanheceu! E lá se foram as formigas, cada qual com sua tarefa a cumprir.

   

acira, novamente, sentava-se no alto da grande árvore e cantava... cantava... o dia inteiro.

 Soraia estava admirada! Enquanto ela trabalhava, a cigarra só cantava! Tentou chamá-la novamente, mas Jacira olhou para ela, sorriu e logo continuou a cantoria. Porém, havia muito trabalho ainda a ser feito antes que anoitecesse e lá se foi a formiga procurar novas folhas para carregar, aproveitando os últimos raios de sol dessa maravilhosa tarde de verão. E assim foi durante todo o verão! As formigas trabalhando para guardar alimentos. E Jacira, a cigarra, só cantando... cantando... cantando... Cantando e dançando!!!

Um dia, Soraia levantou-se no mesmo horário para trabalhar, mas o dia estava escuro. Espiou pela janela e percebeu que o inverno chegava, pois o céu estava cinzento e o vento frio soprava pelas frestas. As formigas então se reuniram e decidiram que não sairiam para trabalhar.

O frio era tanto que Jacira nem sentia mais vontade de cantarolar. Além do mais, o vento gelado a tinha deixado gripada. Sua linda voz estava rouca e agora ela só tossia... tossia...

Dentro do formigueiro, as formigas aproveitavam o tempo brincando e comendo. Na hora das refeições, elas comiam as folhas que haviam armazenado durante o verão. Ali, protegidas do mau tempo, não passavam necessidades: nem frio, nem fome!

Jacira, a cigarra, já estava doente de tanto passar frio. Foi então que resolveu procurar alguém e pedir ajuda. Lembrou-se das formigas, em especial de Soraia, que trabalhava todos os dias perto da árvore onde ela fazia suas cantorias.

Bateu na porta do formigueiro e, quando as formigas abriram, Jacira disse:
- Olá, amigas, lembram-se de mim? Cantei para vocês durante todo o verão!
- Ah! Era você que só cantava enquanto todas nós trabalhávamos? Pois então, agora dance!
E fecharam-lhe as portas na cara!

Entristecida, a cigarra já ia indo embora quando, de uma das janelas do imenso formigueiro, Soraia, a formiguinha, chamou-a:
-
Ei, amiga, aqui está um casaco de lã e uma cesta com bastante comida. Logo adiante, há um formigueiro abandonado. Ali, você poderá ficar o tempo que for preciso, até o inverno acabar!

Feliz da vida, Jacira agradeceu à boa formiga e mudou-se para lá. O inverno passou e, quando o sol voltou a brilhar, novamente se ouviu aquela canção que parecia vir do céu!

Entrou por uma porta e saiu por outra...
Quem quiser que conte outra!

 

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