O Coelhinho de Asas Vermelhas
Carolyn Sherwin Bailey


Era uma vez um coelhinho que tinha duas lindas orelhas cor de rosa, dois vivos olhinhos vermelhos e quatro mimosas patinhas. Embora fosse um animalzinho tão bonito, ele não se sentia feliz.
Cansado de ser como era, o coelhinho branco vivia desejando ser outro bichinho qualquer.

 

Quando via Dom Rabo Comprido, que era um esquilo cinzento, o coelhinho branco dizia a sua mamãe:
- Oh, mamãe! Eu QUERIA ter um rabo comprido como o esquilo!
Quando via Dom Porco Espinho, tornava a dizer a sua mamãe:
- Oh, mamãe! Eu QUERIA ter as costas cheias de espinho como o nosso vizinho!

Quando via a Senhorita Patinha caminhando com as suas patas largas e vermelhas, punha-se a choramingar:
- Oh, mamãe! Eu QUERIA ter um par de sapatos como o da Senhorita Patinha!
O coelhinho branco vivia se queixando sempre, a toda hora, até aborrecer sua mamãe com tantas bobagens.

 

Certo dia Dom Porco do Mato ouviu o coelhinho branco dizendo que QUERIA ser isto ou aquilo.
Como era um bicho muito sábio, deu-lhe o seguinte conselho:
- Corra até o Lago do Desejo, mire-se nas águas, dê três voltas e o seu desejo se realizará.

O coelhinho branco, sem perder um minuto, correu pela floresta, só parando diante dum tronco de árvore cortado, onde as águas da chuva tinham se depositado. Era o Lago do Desejo. 

Ali estava, nesse momento, bebendo água, um pequeno pássaro todo vermelho.
Logo que viu o passarinho, o coelhinho branco formulou o seu desejo:
- QUERO ter um par de asas vermelhas!
Mirou-se nas águas, deu três voltas... E, de repente, alguma coisa aconteceu!
 

 

Começou a sentir uma coisa esquisita nos ombros, como quando era pequenino e os dentinhos apontavam. Eram as suas asas vermelhas que estavam nascendo!
Ficou o resto do dia perto do lago, esperando que as asas crescessem.
Logo que o sol se pôs, correu para casa a fim de mostrar a sua mamãe as asas vermelhas que ganhara.

A noite ficara escura. Quando ele chegou à porta do buraco da árvore onde morava, sua mamãe não o conheceu. Sim, ela não o reconheceu, pois nunca vira um coelhinho com asas em toda a sua vida.
O coelhinho branco, choramingando, afastou-se de casa.
Uma vez que sua mamãe não o acolhera como sempre, precisava encontrar onde dormir aquela noite.

Depois de muito andar, chegou à porta da casa de Dom Rabo Comprido, o esquilo.
Bateu e disse:
- Por favor, Dom Rabo Comprido, deixe-me passar a noite em sua casa!
O esquilo abriu a porta e, em seguida, bateu-a com estrondo.
Nunca em sua vida ele tinha visto um coelho com asas e ficara muito assustado!

Triste, muito triste, o coelhinho branco procurou a Senhorita Patinha, que morava num charco. Perguntou:
- Por favor, linda Senhorita Patinha! Posso passar a noite em sua casa?
A patinha ergueu a cabeça e abriu os olhos, sacudiu as asas e respondeu:
- Não, não e não!
Vocês compreendem: ela nunca vira um coelhinho com asas nas costas!

Finalmente, o coelhinho procurou a casa do Porco do Mato.
O sábio bicho consentiu que ele passasse a noite em sua casa. Como o chão da toca estava cheio de ouriços de castanhas, sobre os quais o Porco do Mato costumava deitar-se, o coelhinho não pode dormir siquer um minuto.
Naquela noite lhe nasceu mais uma coisa no corpo: JUIZO.

Logo que amanheceu, o coelhinho quis tentar um pequeno voo. Subiu até um lugar alto, abriu as asas e saltou. Foi cair direitinho sobre uma árvore de espinhos.
Suas pernas e asas ai se enroscaram de tal jeito, que ele nem podia descer ao chão.
- Mamãe! Mamãe! Venha me ajudar! gritava ele.
Sua mãe não podia ouvi-lo e ele foi socorrido por Dom Porco do Mato.

- Você ainda QUER ter asas vermelhas? perguntou-lhe o sábio bicho, depois de tirá-lo do espinheiro.
- NÃO, NÃO, NÃO! gritou bem alto o coelhinho.
-Bem, nesse caso vá novamente ao Lago do Desejo e peça para ficar como antigamente,
aconselhou Dom Porco do Mato.
Mais que depressa, o coelhinho branco disparou em direção do Lago do Desejo.
Mirou-se nas águas e deu tres voltas, repetindo sempre:
- QUERO ser um coelhinho, apenas um coelhinho branco!

O desejo do coelhinho ajuizado se realizou.
Ele voltou para casa, onde sua mãe o reconheceu e ficou muito contente com o seu regresso.
Daí por diante, o nosso coelhinho branco nunca, NUNCA mais quis ser diferente de como Deus o fizera!

Ilustração de Dorothy Grider
Tradução de Mário Donato e Marcos Rei
Edição Melhoramentos
Animação das figuras de Maux

Essa historinha é para o Ricardo Meton,
lembranças do primeiro livrinho que a vovó leu sozinha,
aos 5 anos de idade...

 

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