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LUTA ENTRE O BEM E O
MAL

No
coração, com veemência, diz-nos a voz da consciência, ou voz do
nosso "eu moral": - Fazei o bem, nunca o
mal!
Levado por
fortes ganas, Globi quis furtar bananas... - Furtar? Oh! não!
Tem prudência! Faze o bem!, diz-lhe a
consciência.
Globi,
ouvindo-a, tremeu e logo se arrependeu. Com nobre
resolução, resistiu à tentação.
E achou
pouco dominar-se. Quis até sacrificar-se: foi dar de esmola a um
menidgo tudo o que tinha consigo...
Mal o
fizera, porém, arrependeu-se também... Disse: A consciência,
afinal, fez-me tão sentimental!
E ouviu
dela esses preceitos: Reflete sempre em teus feitos, bons ou
maus! Diariamente lança-os num livro. É
prudente!

NÃO SE
PAGA O MAL COM O MAL

Doces!
Compre-me, é favor! É auxílio aos pobres, senhor! pede Globi. O
homem grita: -Vai-te! Ninguém te acredita!
Globi,
que, na realidade, vendia por caridade, pensa: Isso é insulto!
Avarento! Você me paga! É um momento...
Que homem!
Esmolas não dava e ao pobre a porta trancava! A chaminé, no
espigão, fumava como um vulcão...
Globi
subiu ao telhado e pos-se logo sentado na chaminé, satisfeito por
se vingar do sujeito.
A casa
ficou tomada por fumaça represada. Ao sentir-se sufocado, o dono
fugiu danado.
Globi
julgou ter vencido, mas depois, arrependido, disse: Eu errei,
afinal, pagando o mal com o mal...

O PRÊMIO
DO BEM É A INGRATIDÃO

Globi
resmunga, magoado: Serviços que eu, de bom grado, presto aos homens,
estes raro me agradecem, bem reparo.
Melhor que
os homens, decerto, é o cão que vejo aqui perto. Se eu o soltar da
corrente, ficará grato e contente.
Firme
nessa conclusão, de pronto soltou o cão. Mas, este, livre,
rosnou e os dentes arreganhou...
Em vez de
a cauda abanar e de grato se mostrar, saltou contra o
benfeitor, e o perseguiu com furor.
Globi
fugiu arquejante, até que, num dado instante, pega o cão, luta e -
que graça! - com um vasinho o amordaça...
Depois,
ancho, sai vingado... Lembrai-vos, meninos! Quando alguém faz bem
pelo bem, nada espera de ninguém...

SOVADO EM
CARICATURA

Globi rufa
com vigor - - RATAPLÃ - o seu tambor. Rufa com gosto,
supondo que agrada a todos o estrondo.
Mas
grita-lhe o Pinto Antão, seu vizinho: Oh, barulhão! Moleque,
deixe isso um pouco! Estou zonzo e fico louco!
Depois,
nervoso como é, pespega-lhe um pontapé. Vergonha! Globi,
correndo, vai-se, raivoso e tremendo.
Pensa em
vingar-se e, magoado, rosna, de rosto fechado: Olho por olho!
Está bem! Dente por dente também!
Em casa,
com arte rara, no tambor pintou a cara do vizinho, à tinta
preta. Ficou perfeita a careta!
E saiu no
mesmo dia, sovando-a, por picardia, baqueteando-a... Feia
ação! Vendo-a, pula e bufa o Antão...

BOAS
INTENÇÕES, FINALMENTE!

Globi, com
muita freqüência, tem enganado a consciência. Seu livro de vida o
aponta, pois registra erros sem conta...
Para a
vida melhorar, resolve o bem praticar. Sai ao acaso e,
passeando, descobre um homem pescando.
Toma o
balde do pescado, joga este ao rio e, calado, pensa: Aos peixes
libertei. Fiz-lhes um bem e acertei!
Sai
correndo e, pouco após, aparta a briga feroz de um casal de irmãos
fedelhos, que acalma com bons conselhos.
Por fim, a
casa chegando, diz ao pai que está fumando: Largue esse vício!
Afinal, o charuto lhe faz mal!
Depois, no
Livro da Vida, de alma altiva e comovida, anota essas três
vitórias, que considera três
glórias... |