VITÓRIAS E DERROTAS DE GLOBI
Título original:  GLOBI'S SIEGE UND NIEDERLAGEN
Criação de J. B. Schiele
Desenhos de Robert Lips
Narração de Alfred Bruggmann
Tradução de Luiz Gonzaga Fleury
Animações de Maux

 

ESTOMAGO DESAPONTADO

Depois de muito passear,
Globi quis reconfortar
seu estomago esfaimado,
num restaurante afamado.

Entra, senta-se e o garçom
traz-lhe as entradas e o pão.
Afinal, chega o jantar,
na bandeja, a fumegar.

Vem tudo em cinco terrinas,
grande, média e pequeninas.
"Cinco peças! Que beleza!"
diz Globi, vendo-as na mesa.

O garçom as destampou
e, bico ao ar, se afastou...
Globi então viu-se, espantado,
com cinco peças... logrado!

Sopa, um bifinho, batata,
arroz e ervilha de lata...
Tudo com nome pomposo!
Globi ergueu-se furioso...

Louco de fome, oh! caipora!
Paga caro e vai-se embora.
E para o ventre aplacar
leva um ganso vivo... a assar!

NOS JARDINS DE VERSALHES

Versalhes! Como é grandioso
seu palácio majestoso!
Seus jardins, cheios de flores,
são artísticos primores.

De seus lagos remansosos
sobem repuxos suntuosos.
Em todos os seus recantos
há surpreendentes encantos.

Em Versalhes, só, calado,
Globi passeia extasiado.
Pelas largas avenidas
folgam crianças garridas.

Garotos, em pleno sol,
correm, jogam fuetebol.
Globi para, põe-se a olhar
com vontade de brincar...

Mas eis que a bola, a zunir,
veio num lago cair.
Às águas Globi se joga.
É nadador, não se afoga...

O que faz é proibido,
mas chuta a bola o atrevido!
Vendo o guarda, logra-o assim:
finge a estátua de um... delfim!...

GLOBI E O AGENTE POLICIAL

Globi tem pressa... A um sinal
fez parar um policial,
que, na avenida repleta
rodava em motocicleta.

"Que foi?!" assim que o avista
pergunta o motociclista.
"Um crime no Quarteirão!"
"No Latino?" "Isso, pois não!

Quer levar-me? Indicarei
o lugar exato. Eu sei..."

"Monte atrás", disse-lhe o agente.
Globi montou prontamente.

As explosões do motor,
com barulho assustador,
a motocicleta, então,
disparou como rojão.

Mão ao chapéu, capa ao vento,
Globi veloz, ia atento,
seguro ao corpo do agente,
a quem gritou, de repente:

"Pare". O policia atendeu.
Globi, saltando, correu...
"Logrei o agente! À sua custa
chego ao cinema à hora justa..."

QUEM TEM MUITOS AMIGOS...

"Desde que estou aqui",
reflete um dia Globi,
"não escrevi a ninguém,
e isto assim não fica bem!

Paris tem-me distraido
a ponto de eu ter perdido
a noção de um meu dever...
A todos vou escrever!..."

E escrevendo à mãe, ao pai
e a massa de amigos, vai
dispondo a correspondência
com ordem. Quanta paciência!

A todos contou, feliz,
seus sucessos em Paris.
Escreveu o dia inteiro,
esgotou todo um tinteiro!

E com carrinho de mão
Cheio de cartas... e então?!...
Espantando a toda gente,
foi ao correio, contente.

O agente até desmaiou
mal o carrinho avistou...
Pois não era para tanto?
Quanto trabalho! Deus Santo!

Entrou por uma porta e saiu por outra...
Quem quiser que conte outra!

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