VITÓRIAS E DERROTAS DE GLOBI
Título original:  GLOBI'S SIEGE UND NIEDERLAGEN
Criação de J. B. Schiele
Desenhos de Robert Lips
Narração de Alfred Bruggmann
Tradução de Luiz Gonzaga Fleury
Animações de Maux

 

TRAVESSURA

Se no bem perseverar,
o nosso Globi - que azar! -
com astúcia e brincadeiras,
pratica de novo asneiras...

Para atrair passarinhos
põe num prato pedacinhos
de pão, que, contente, olha
e enfim no conhaque molha.

Deixa o prato no quintal
sob uma árvore. Afinal
vendo o pão, um passarinho
desce ao prato, de mansinho.

E bica e torna a bicar
as migalhas, sem parar.
Com mais gosto as engolia
do que as secas, bem se via.

Fiocu tonto. Assim, depois
aconteceu com mais dois.
E alegres, embriagados,
dançam, caem desmaiados.

Globi apanhou os três,
mas a consciência outra vez
condenou-o: Feia ação!
És mau? Não tens coração?

MÁ VONTADE

Dona Engrácia, por favor
desligue o rádio! Que horror!
Ou diminua esse ruido,
que até já me doi no ouvido!

Dona Engrácia, que aprecia
a música, todavia,
não quer deixar seu prazer
só para o Globi atender.

Pode um vizinho estorvar
um  rádio. Basta ligar
um aparelho qualquer
elétrico, que tiver.

Pra se vingar da vizinha
Globi ligou os que tinha.
Foi só isso o que ele fez:
ligou cinco de uma vez!

E Dona Engrácia, coitada,
sentiu-se logo atordoada,
pois o seu rádio, estrondando,
uivava e urrava, chiando.

Assim, nosso rapazelho
fe-la calar o aparelho...
Venceu? Ninguém acredita,
pois a ação não foi bonita!

POR CULPA DO DEPUTADO

Para fazer penitência
por seus erros, com paciência,
Globi passa a ferro um pano,
um lenço, se não me engano.

Estava assim distraido,
quando ouviu o retinido
do telefone. Atendeu
e o ferro quente esqueceu...

Ficou ouvindo, encantado,
seu amigo, o deputado
Doutor Pancrácio, orador,
além de comendador.

Este lhe solicitava
o parecer, que acatava.
Assim, ficam conversando
e o tempo vai-se passando.

Entretanto, com estrondo,
cai o ferro e deixa um rombo
na tábua... Tinha-a queimado!
Globi fica exasperado.

E ao telefone inocente,
arremessa o ferro quente
como à cara do culpado,
que era o nobre deputado...

A DERROTA

Com seu batedor de pó,
Globi espanca sem dó
a poltrona e faz saltar
muita poeira e traças no ar.

Será que a poltrona aguenta?
Qual! O estofo se arrebenta
e do assento, sem demora,
duas molas saltam fora...

Há males que vem pra bem!
Não é que o assento contém,
em papel, cinco cruzeiros?
Não serão alvissareiros?

Deve o assento, certamente,
ter mais dinheiro!,
contente
exclama Globi, rasgando
o estofo e tudo estragando.

Mas fica desapontado
por nada mais haver achado.
Além dos cinco primeiros
e, pois, únicos cruzeiros...

Compra com eles, então,
para a substituição
da poltrona - que desgosto! -
um banquinho sem encosto...

PARA AGIR, PENSAR PRIMEIRO!

Na rua, entre alas de gente,
passa um desfile imponente...
Globi, que não quer perdê-lo,
de onde está não pode vê-lo...

Cheio de curiosidade,
usa de brutalidade,
procurando, inutilmente,
varar a massa de gente.

Ressoa o clarim... Teimoso,
tenta Globi, já nervoso,
trepar numa árvore, então...
E lida, e esforça-se em vão!

Por fim, procura, de novo,
à força, varar o povo...
E dá socos e encontrões,
e pontapés e empurrões!

Mas o povo, provocado,
reage logo, indignado:
Que maroto! Espere um pouco!
Globi foge como um louco...

Foge, mas volta, o danado,
em pernas de pau trepado!
E, melhor que toda a gente,
vê o desfile finalmente...

Entrou por uma porta e saiu por outra...
Quem quiser que conte outra!

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