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TRAVESSURA

Se no bem
perseverar, o nosso Globi - que azar! - com astúcia e
brincadeiras, pratica de novo asneiras...
Para
atrair passarinhos põe num prato pedacinhos de pão, que, contente,
olha e enfim no conhaque molha.
Deixa o
prato no quintal sob uma árvore. Afinal vendo o pão, um
passarinho desce ao prato, de mansinho.
E bica e
torna a bicar as migalhas, sem parar. Com mais gosto as
engolia do que as secas, bem se via.
Fiocu
tonto. Assim, depois aconteceu com mais dois. E alegres,
embriagados, dançam, caem desmaiados.
Globi
apanhou os três, mas a consciência outra vez condenou-o: Feia
ação! És mau? Não tens coração?

MÁ
VONTADE

Dona
Engrácia, por favor desligue o rádio! Que horror! Ou diminua esse
ruido, que até já me doi no ouvido!
Dona
Engrácia, que aprecia a música, todavia, não quer deixar seu
prazer só para o Globi atender.
Pode um
vizinho estorvar um rádio. Basta ligar um aparelho
qualquer elétrico, que tiver.
Pra se
vingar da vizinha Globi ligou os que tinha. Foi só isso o que ele
fez: ligou cinco de uma vez!
E Dona
Engrácia, coitada, sentiu-se logo atordoada, pois o seu rádio,
estrondando, uivava e urrava, chiando.
Assim,
nosso rapazelho fe-la calar o aparelho... Venceu? Ninguém
acredita, pois a ação não foi bonita!

POR CULPA
DO DEPUTADO

Para fazer
penitência por seus erros, com paciência, Globi passa a ferro um
pano, um lenço, se não me engano.
Estava
assim distraido, quando ouviu o retinido do telefone. Atendeu e o
ferro quente esqueceu...
Ficou
ouvindo, encantado, seu amigo, o deputado Doutor Pancrácio,
orador, além de comendador.
Este lhe
solicitava o parecer, que acatava. Assim, ficam conversando e o
tempo vai-se passando.
Entretanto, com estrondo, cai o ferro e deixa um
rombo na tábua... Tinha-a queimado! Globi fica
exasperado.
E ao
telefone inocente, arremessa o ferro quente como à cara do
culpado, que era o nobre deputado...

A
DERROTA

Com seu
batedor de pó, Globi espanca sem dó a poltrona e faz saltar muita
poeira e traças no ar.
Será que a
poltrona aguenta? Qual! O estofo se arrebenta e do assento, sem
demora, duas molas saltam fora...
Há males
que vem pra bem! Não é que o assento contém, em papel, cinco
cruzeiros? Não serão alvissareiros?
Deve o
assento, certamente, ter mais dinheiro!, contente exclama
Globi, rasgando o estofo e tudo estragando.
Mas fica
desapontado por nada mais haver achado. Além dos cinco
primeiros e, pois, únicos cruzeiros...
Compra com
eles, então, para a substituição da poltrona - que desgosto! - um
banquinho sem encosto...

PARA AGIR,
PENSAR PRIMEIRO!

Na rua,
entre alas de gente, passa um desfile imponente... Globi, que não
quer perdê-lo, de onde está não pode vê-lo...
Cheio de
curiosidade, usa de brutalidade, procurando, inutilmente, varar a
massa de gente.
Ressoa o
clarim... Teimoso, tenta Globi, já nervoso, trepar numa árvore,
então... E lida, e esforça-se em vão!
Por fim,
procura, de novo, à força, varar o povo... E dá socos e
encontrões, e pontapés e empurrões!
Mas o
povo, provocado, reage logo, indignado: Que maroto! Espere um
pouco! Globi foge como um louco...
Foge, mas
volta, o danado, em pernas de pau trepado! E, melhor que toda a
gente, vê o desfile
finalmente... |