VITÓRIAS E DERROTAS DE GLOBI
Título original:  GLOBI'S SIEGE UND NIEDERLAGEN
Criação de J. B. Schiele
Desenhos de Robert Lips
Narração de Alfred Bruggmann
Tradução de Luiz Gonzaga Fleury
Animações de Maux

 

VISITA

A palha de aço esfregando,

no soalho que está limpando,

Globi deixa-o claro e liso,

sem manchas, como é preciso.

 

Depois, dá-lhe uma demão

de cera e, com o escovão,

lustra-o, lustra-o sem parar

até fazê-lo brilhar.

 

Afinal, espana a poeira

dos móveis da sala inteira,

manejando o espanador

com perícia e com vigor.

 

Tudo pronto, Globi, suando,

exclama, o rosto enxugando:

Graças a Deus! Mas por certo,

fiz da sala um céu aberto!

 

Mal acaba de o dizer,

ouve à porta alguém bater.

Uma visita! É excelente!

Pode entrar! grita contente.

 

Mas... ai! Aparece então,

negro de pó de carvão,

Nho Benedito Tomé...

Vem limpar a chaminé!

REMÉDIO PARA CALVÍCIE

Globi compra um preparado

que, certo, o porá curado

da calvície reluzente,

que o faz triste e descontente.

 

Se quer que o cabelo cresça

deve molhar a cabeça

bem molhada... Assim o faz

nosso vaidoso rapaz.

 

Mas é em vão todo o cuidado,

pois continua pelado,

após semanas de trato,

seu cranio brilhante e ingrato...

 

E o frasco do preparado,

janela afora atirado

com raiva e desilusão,

cai na rua sobre um cão.

 

Quebra-se... O animal, ferido,

foge, soltando um ganido...

Mas ei-lo parado ali,

causando inveja a Globi...

 

Mais peludo do que um leão,

já nem parece ser o cão...

O feliz animalzinho

fez-se um belo... porco espinho!

LADRÕES

À noite, Globi desperta

e um barulho o põe alerta:

Toque! Toque! Que seria?

Globi nada compreendia.

 

Ladrões? Teriam ousado

entrar no prédio trancado?

Globi salta logo ao chão

e põe chinela e roupão.

 

O revólver carregado,

diz, se eu me vir atacado,

põe-me a salvo muito bem,

pois efeito um tiro tem.

 

Revólver na mão direita,

na esquerda, a vela, uma estreita

escada põe-se a descer,

sem ruido nenhum fazer.

 

Irá tiros disparar?

Oh, não! Ei-lo a gargalhar...

Em vez de ladrões, depara

com cena engraçada e rara:

 

Três ratos, que, calmamente,

jogam truque como gente!

Acham difícil de crer?

E o quadro acima? É só ver!

NOVA DECEPÇÃO

Globi desejava usar

seu pulôver novo e... azar!

Viu que se achava manchado:

Está sujo, ai! diz zangado.

 

Leva à chapa do fogão

um balde de água e sabão.

Faz o pulôver cozer

dentro dele até ferver.

 

Retira-o dali e, então,

lava-o bem com mais sabão.

E, satisfeito o esfregava

porque o sabão espumava.

 

Toca a ensaboar e esfregar

para a mancha se apagar

e sair toda a sujeira,

que era da semana inteira...

 

Lavado assim, é torcido

o pulôver e estendido

no varal, ao vento quente,

que o enxuga rapidamente.

 

E, contudo, oh decepção!

Com o pulôver na mão,

Globi exclama estarrecido:

Tem só um palmo! Está encolhido!

LOGRADO!

Vendo a garrafa no mar

junto da praia a boiar,

Globi consegue pescá-la

com o gancho da bengala.

 

Dentro, percebe enrolado

um papel... Será um recado?

Quebra a garrafa impaciente,

lê notícia surpreendente:

 

Existe um rico tesouro

de moedas de prata e de ouro,

que se encontra num desvão

na Caverna do Dragão.

 

Cheio de louca esperança,

Globi, de canoa, alcança

em breve a ilhota rochosa

da riqueza fabulosa...

 

Como explorador audaz,

penetra logo o rapaz

na Caverna do Dragão,

mais negra do que carvão...

 

E, com gritos e pateada,

recebe-o uma molecada:

Quiá! Quiá! Quiá! Fió! Fó! Coitado!

Globi, você foi logrado!...

Entrou por uma porta e saiu por outra...
Quem quiser que conte outra!

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