VITÓRIAS E DERROTAS DE GLOBI
Título original:  GLOBI'S SIEGE UND NIEDERLAGEN
Criação de J. B. Schiele
Desenhos de Robert Lips
Narração de Alfred Bruggmann
Tradução de Luiz Gonzaga Fleury
Animações de Maux

 

O GRANDE DIA

Mal desperta, Globi salta 
do leito... E estará sem falta,
entre amiguinhos gentis,
antes da noite, em Paris.

 

Foi por eles convidado
para a viagem. E, encantado,
diz o herói, deixando a cama:
"Até em Paris tenho fama!"

 

Depressa ele arranja a mala.
De comoção, já sem fala,
só pensa: "Oh! Dia feliz!
Vou, afinal, ver Paris!"

 

Era seu sonho constante...
E por isso, num instante,
montado no corrimão
da escada, escorrega ao chão...

 

Quem dessa forma desliza
as solas economiza...
espera Globi na rua
garotada amiga sua.

 

Quantos vivas! Que ovação!
E vão todos à estação.
"Cumprimentos",cada um diz,

aos petizes de Paris!"

PRIMEIRA SURPRESA

Globi, Globi, tome o trem!
Feliz viagem! Passe bem!
O trem já se vai embora!
Escreva, sim? Sem demora!

Globi põe-se no vagão,
senta-se... e ... que decepção!
Entre um velho estabanado
e uma velha está sentado!

A mulher é uma baleia
e viaja fazendo meia...
Globi protesta, sem ar...
Por fim, deixa o seu lugar.

Reflete, sobe ao estrado
do carro. E, refestelado,
supõe-se, todo otimista,
bem livre de gente egoista.

Mas, eis chega um brutamontes.
Descende de mastodontes?
fuma um churatão cheiroso,
cabeça erguida, orgulhoso...

E vai... zás!... a mala atira.
Globi ligeiro se vira,
mas da mala, sob o peso
se esborracha e fica preso!

O FISCAL DESCONFIADO

Não é fácil brincadeira
atravessar a fronteira.
É preciso apresentar
passaporte regular.

E um fiscal aduaneiro
remexe as malas, ligeiro.
Globi fica revoltado
mas cerra os dentes, calado.

Tudo o fiscal joga ao léu:
meias, estojo, chapéu,
camisas, lenços, sapatos...
tudo sofre o pior dos tratos.

Se não é, parece abuso...
É a lei que ordena tal uso?
Coisa nova há de pagar
imposto para passar.

"E esta caixa? Que terá?"
pergunta o guarda. "Abra-a já!"
E, terrível, fica a olhar,
mas Globi vai se vingar...

Fingindo inocência aperta
um botão... Da caixa aberta
salta ao nariz do mariola
um palhacinho de mola!

CHEGADA A PARIS

Oh! Já em Paris nos achamos...
"Estação d'Este! Desçamos!"
Globi desce e, de contente,
arfa-lhe o peito, fremente!

Sem quebra da altiva linha
a passos firmes caminha.
Mas, de repente, parado,
acende o olhar, deslumbrado.

Na rua, que movimento!
Que rumor! Que encantamento!
Bondes, onibus, rodando
e cem táxis, desfilando...

E quanta moça catita!
Deus do Céu! Nem se acredita!
Os homens passam amáveis,
elegantes, respeitáveis.

E os hotéis, teatros, cinemas?
E as lojas? Coisas supremas!
Mala de um e de outro lado,
Globi caminha estonteado...

Olha em frente, olha à direita,
à esquerda, atrás... Desta feita
sairá nosso herói ileso?
Entre os autos, ah! está preso!

Entrou por uma porta e saiu por outra...
Quem quiser que conte outra!

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