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O GRANDE DIA

Mal desperta, Globi salta do leito... E estará sem
falta, entre amiguinhos gentis, antes da noite, em
Paris.
Foi por eles
convidado para a viagem. E, encantado, diz o herói, deixando a
cama: "Até em Paris tenho fama!"
Depressa ele arranja a
mala. De comoção, já sem fala, só pensa: "Oh! Dia feliz! Vou,
afinal, ver Paris!"
Era seu sonho
constante... E por isso, num instante, montado no corrimão da
escada, escorrega ao chão...
Quem dessa forma
desliza as solas economiza... espera Globi na rua garotada amiga
sua.
Quantos vivas! Que
ovação! E vão todos à estação. "Cumprimentos",cada um
diz,
aos petizes de
Paris!"

PRIMEIRA SURPRESA

Globi, Globi, tome o
trem! Feliz viagem! Passe bem! O trem já se vai embora! Escreva,
sim? Sem demora!
Globi põe-se no
vagão, senta-se... e ... que decepção! Entre um velho
estabanado e uma velha está sentado!
A mulher é uma
baleia e viaja fazendo meia... Globi protesta, sem ar... Por fim,
deixa o seu lugar.
Reflete, sobe ao
estrado do carro. E, refestelado, supõe-se, todo otimista, bem
livre de gente egoista.
Mas, eis chega um
brutamontes. Descende de mastodontes? fuma um churatão
cheiroso, cabeça erguida, orgulhoso...
E vai... zás!... a mala
atira. Globi ligeiro se vira, mas da mala, sob o peso se
esborracha e fica preso!

O FISCAL
DESCONFIADO

Não é
fácil brincadeira atravessar a fronteira. É preciso
apresentar passaporte regular.
E um
fiscal aduaneiro remexe as malas, ligeiro. Globi fica
revoltado mas cerra os dentes, calado.
Tudo o
fiscal joga ao léu: meias, estojo, chapéu, camisas, lenços,
sapatos... tudo sofre o pior dos tratos.
Se não é,
parece abuso... É a lei que ordena tal uso? Coisa nova há de
pagar imposto para passar.
"E esta
caixa? Que terá?" pergunta o guarda. "Abra-a já!" E, terrível, fica
a olhar, mas Globi vai se vingar...
Fingindo
inocência aperta um botão... Da caixa aberta salta ao nariz do
mariola um palhacinho de mola!

CHEGADA A
PARIS

Oh! Já em
Paris nos achamos... "Estação d'Este! Desçamos!" Globi desce e, de
contente, arfa-lhe o peito, fremente!
Sem quebra
da altiva linha a passos firmes caminha. Mas, de repente,
parado, acende o olhar, deslumbrado.
Na rua,
que movimento! Que rumor! Que encantamento! Bondes, onibus,
rodando e cem táxis, desfilando...
E quanta
moça catita! Deus do Céu! Nem se acredita! Os homens passam
amáveis, elegantes, respeitáveis.
E os
hotéis, teatros, cinemas? E as lojas? Coisas supremas! Mala de um e
de outro lado, Globi caminha estonteado...
Olha em
frente, olha à direita, à esquerda, atrás... Desta feita sairá nosso
herói ileso? Entre os autos, ah! está
preso! |