VITÓRIAS E DERROTAS DE GLOBI
Título original:  GLOBI'S SIEGE UND NIEDERLAGEN
Criação de J. B. Schiele
Desenhos de Robert Lips
Narração de Alfred Bruggmann
Tradução de Luiz Gonzaga Fleury
Animações de Maux

 

TODOS TROÇAM DE GLOBI

Paris tem bairros famosos,
elegantes, primorosos.
Todos querem conhece-los
e Globi também foi ve-los.

Notou, porém, que chamava
a atenção de quem passava.
Caçoavam dele, sorriam;
não poucos até diziam:

"Que esquisita criatura!
Não tem seis palmos de altura...
com bico, calças xadrez!
Parece anão de entremez!"

Pobre Globi! Despeitado,
sentiu-se triste e amuado.
Resoveu no mesmo instante
meter-se em traje elegante.

"Que o desgosto não me mate!
vou procurar alfaiate!"
E foi. Comprou roupa feita,
mas bem talhada e escorreita.

E saiu, todo elegante...
Mal chovia nesse instante
e um auto - o caso fez fama! -
esborrifou-o... de lama!

NA GALERIA DO LOUVRE

Globi, meigo coração,
tem pelas artes paixão.
E o Louvre foi visitar.
Que ambiente! Fe-lo sonhar!

Espantou-se a criatura
vendo ali tanta pintura...
Quadros sublimes, famosos,
de altos genios portentosos.

Globi, sucessivamente,
contempla-os... E, de repente,
vê um sorriso encantador:
é a "Mona Lisa"... Um primor!

Parado, o quadro namora...
Num extase, quase chora!
Seu terno peito suspira...
O pobre Globi delira!

E sai pelos corredores:
vai à procura de flores...
Ao ve-lo, diz a florista:
"Esse é maluco ou artista..."

Globi volta à "Mona Lisa".
nem sente o chão em que pisa...
"Oh! Mona dos meus amores!"
exclama e ... oferta-lhe as flores!

JARDIM DAS TULHERIAS

Em Paris são numerosos
os belos parques umbrosos
com estátuas, obras de arte
e lagos por toda a parte.

As alamedas são lindas,
dão-nos a ilusão de infindas...
É efeito de perspectiva
que encanta o olhar e o cativa.

O Jardim das Tulherias
é assim. E todos os dias
passeiam ali petizes
que se divertem felizes.

Globi lá foi com Renato,
garoto esperto e gaiato.
Num lago, ali, prazenteiros,
soltam barquinhos veleiros...

E brincavam encantados
quando se viram rodeados
por importunos curiosos.
"Cos diabos!" dizem, furiosos.

Vão pra casa, empertigados...
E na banheira, calados,
- lagoa discreta é aquela! -
soltam seus barcos de vela...

NOTRE DAME, A CATEDRAL

Notre Dame, a catedral,
em Paris não tem rival.
Sob o sol, alta, imponente,
arrebata a alma da gente.

Seu portal, rosácea, torres,
ogivas e mais primores
da arte gótica são tais
que raros lhe são iguais.

Da ilha do Sena, altaneira,
domina a cidade inteira:
tetos, torres, casario,
jardins, ruas, pontes, rio...

Globi quis, é natural,
conhecer a catedral.
Foi só. Como assim fazia,
muniu-se de um livro guia.

Contemplou do alto a cidade...
Que esplendor! Que imensidade!
E viu na torre dragões,
diabos, gárgulas, falcões...

Tudo de pedra... E, no entanto,
de repente, cai de espanto:
vê um monstro... com sua cara!
Globi dá um grito ... e dispara...

Entrou por uma porta e saiu por outra...
Quem quiser que conte outra!

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