VITÓRIAS E DERROTAS DE GLOBI
Título original:  GLOBI'S SIEGE UND NIEDERLAGEN
Criação de J. B. Schiele
Desenhos de Robert Lips
Narração de Alfred Bruggmann
Tradução de Luiz Gonzaga Fleury
Animações de Maux

 

O PÃO FLAUTA DE PARIS

O pão flauta de Paris,
delicioso, ao que se diz,
é comprido como vara,
tem gomos... sem ser taquara.

Globi sentiu fome um dia
e foi a uma padaria.
Toda risonha e lampeira,
serviu-lhe o pão a padeira.

Globi de espanto se cala...
Pediu pão, dão-lhe bengala!
Para sair do embaraço,
colocou-o sob o braço...

E lá se foi com o pão,
intrigado, olhos no chão...
Pão sob o braço, correto,
toma um onibus repleto.

Mas, num momento infeliz,
eis que o pão quebra o nariz
do coitado de um rapaz
que vinha em pé pouco atrás!

Em casa, Globi admira
o tal pão que nunca vira.
enfim, liquidando o caso,
pos o pão flauta ... num vaso!

NO SALÃO DO GRANDE PALÁCIO

Grande Palácio! Salão!
Que soberba exposição!
Goza o maior dos prestígios,
fica nos Campos Elísios.

Quando se abre anualmente
o Salão se enche de gente.
Coisa, aliás, muito explicável:
o Salão é admirável!

Ali se expõem numerosos
quadros de artistas famosos.
"A arte é minha paixão,"
diz Globi. "À exposição!"

Lá foi. Ficou deslumbrado.
Ou melhor, alucinado...
Nos quadros via (é a verdade)
não arte, mas realidade...

E, assim, a um ser rechonchudo,
retrato de um barrigudo,
supo-lo haver devorado
um peixe de um quadro ao lado...

Chama o guarda: "Este ladrão"
diz-lhe, "merece prisão:
devorou o peixe e o vinho
aqui do lado, ao vizinho!"

NO JARDIM DO LUXEMBURGO

Globi quis ter paz e, assim,
foi descansar no jardim
do Luxemburgo, que é perto
e é tranquilo céu aberto.

A esse recanto ideal
homens vão ler seu jornal,
e amas, com toucas de linho,
levam bebes em carrinho.

Chilram pardais no arvoredo
e descem dali sem medo,
para catarem no chão
as migalhas que lhes dão.

Globi passeia encantado,
passo a passo, sossegado.
mas, eis que um bebê chorão
põe-se a berrar, maganão.

Ninguém se esquiva a trabalho
a ver se acalma o pirralho.
Mas em vão se esgotam tretas,
afagos, graças, caretas...

de repente, ao ver Globi,
o chorão o aponta... e ri!...
Globi consultou o espelho:
tinha razão o fedelho...

 

CONCERTO NO TEATRO DA ÓPERA

Globi foi hoje, orgulhoso,
ao Ópera, tão famoso.
Foi depressa, foi correndo,
um grande prazer prevendo.

O maestro bracejava
enquanto a orquestra tocava.
Globi, na primeira fila,
logo boceja e cochila.

"Música clássica! Horror!
Dá sono, causa torpor!"
Contudo, que admiração
do auditório, que atenção!

E, num adágio patético,
Globi sente-se frenético.
"Bom tom às favas!", maçado,
exclamou, desesperado.

E levantou-se e saiu,
escada abaixo fugiu...
Enfim, pilha-se na rua.
no céu, vem surgindo a lua...

E Globi, sob o luar,
ouve um realejo a tocar:
"Foxtrot! Isto é encantador!
Mas, lá no teatro... que horror!"

Entrou por uma porta e saiu por outra...
Quem quiser que conte outra!

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