|
O PÃO
FLAUTA DE PARIS

O pão
flauta de Paris, delicioso, ao que se diz, é comprido como
vara, tem gomos... sem ser taquara.
Globi
sentiu fome um dia e foi a uma padaria. Toda risonha e
lampeira, serviu-lhe o pão a padeira.
Globi de
espanto se cala... Pediu pão, dão-lhe bengala! Para sair do
embaraço, colocou-o sob o braço...
E lá se
foi com o pão, intrigado, olhos no chão... Pão sob o braço,
correto, toma um onibus repleto.
Mas, num
momento infeliz, eis que o pão quebra o nariz do coitado de um
rapaz que vinha em pé pouco atrás!
Em casa,
Globi admira o tal pão que nunca vira. enfim, liquidando o
caso, pos o pão flauta ... num vaso!

NO SALÃO
DO GRANDE PALÁCIO

Grande Palácio!
Salão! Que soberba exposição! Goza o maior dos prestígios, fica
nos Campos Elísios.
Quando se abre
anualmente o Salão se enche de gente. Coisa, aliás, muito
explicável: o Salão é admirável!
Ali se expõem
numerosos quadros de artistas famosos. "A arte é minha
paixão," diz Globi. "À exposição!"
Lá foi. Ficou
deslumbrado. Ou melhor, alucinado... Nos quadros via (é a
verdade) não arte, mas realidade...
E, assim, a um ser
rechonchudo, retrato de um barrigudo, supo-lo haver devorado um
peixe de um quadro ao lado...
Chama o guarda: "Este
ladrão" diz-lhe, "merece prisão: devorou o peixe e o vinho aqui
do lado, ao vizinho!"

NO JARDIM DO LUXEMBURGO

Globi quis
ter paz e, assim, foi descansar no jardim do Luxemburgo, que é
perto e é tranquilo céu aberto.
A esse
recanto ideal homens vão ler seu jornal, e amas, com toucas de
linho, levam bebes em carrinho.
Chilram
pardais no arvoredo e descem dali sem medo, para catarem no
chão as migalhas que lhes dão.
Globi
passeia encantado, passo a passo, sossegado. mas, eis que um bebê
chorão põe-se a berrar, maganão.
Ninguém se
esquiva a trabalho a ver se acalma o pirralho. Mas em vão se esgotam
tretas, afagos, graças, caretas...
de
repente, ao ver Globi, o chorão o aponta... e ri!... Globi
consultou o espelho: tinha razão o fedelho...
CONCERTO
NO TEATRO DA ÓPERA

Globi foi
hoje, orgulhoso, ao Ópera, tão famoso. Foi depressa, foi
correndo, um grande prazer prevendo.
O maestro
bracejava enquanto a orquestra tocava. Globi, na primeira
fila, logo boceja e cochila.
"Música
clássica! Horror! Dá sono, causa torpor!" Contudo, que
admiração do auditório, que atenção!
E, num
adágio patético, Globi sente-se frenético. "Bom tom às favas!",
maçado, exclamou, desesperado.
E
levantou-se e saiu, escada abaixo fugiu... Enfim, pilha-se na
rua. no céu, vem surgindo a lua...
E Globi,
sob o luar, ouve um realejo a tocar: "Foxtrot! Isto é
encantador! Mas, lá no teatro... que
horror!" |