A Descoberta da Joaninha
Bellah Leite Cordeiro
Do livro "A Descoberta da Joaninha"

 



Joaninha morava no recanto mais florido da floresta.
Entre os animaizinhos, ela era a mais popular e a mais querida do Vale das Flores.
Certo dia, a Lagartixa deu uma festa.
Joaninha foi a primeira a ser convidada. E então ficou toda entusiasmada e dizia:
- Vai ser uma delícia! Todos os meus amigos foram convidados! Joaninha quer ir muito bonita!
Porque assim todo mundo vai querer dançar e conversar com ela!

Por isso, colocou uma fita na cabeça, uma faixa na cintura, muitas pulseiras nos braços
e ainda levou um leque para se abanar. Perfumou-se e foi toda feliz para a festa.
No caminho encontrou Dona Formiga, na porta do formigueiro, e disse:

- Bom Dia, Amiga Formiga! Não vai à festa da Lagartixa?
- Não posso, minha amiga. Ontem fizemos mudança e eu não tive tempo de me preparar...
- Não tem problema! Tudo bem! Eu posso emprestar a fita que tenho na cabeça e você vai ficar linda com ela! Quer?
- Mas que bom, Joaninha! Você faria isso por mim?
- Claro que sim! Estou muito enfeitada! Posso dividir com você.
E lá se foram as duas. A formiga estava muito radiante com a fita na cabeça.
Dali a pouco, encontraram a Aranha, na sua teia fazendo renda.

Ao ver as duas, a Aranha falou:
- Oi! Onde vão vocês duas tão bonitas?
- À festa da Lagartixa! Você não vai?
- Sinto muito! Não posso. Tive muitas despesas este mês e sem dinheiro não me preparei para a festa.
- Não seja por isso, disse a Joaninha. Estou muito enfeitada! Posso bem emprestar as minhas pulseiras.
Vão ficar lindíssimas em você! Aceita?

- Que maravilha! disse a Aranha toda entusiasmada.
- Sempre tive vontade de usar pulseiras nos meus braços! Joaninha, você é legal demais, sabia?
E a Aranha, muito feliz, acompanhou as amigas. Logo adiante encontraram a taturana.
Como sempre, morrendo de calor...

- Oi, Taturana! Como vai você?
- Mal. Muito mal com esse calor. Sabe que nem tenho coragem de ir à festa da Lagartixa?
- Ora, mas para isso dá-se um jeito!
disse a Joaninha muito amável.  Poderei emprestar o meu leque.
E lá se foi também a Taturana, feliz da vida, abanando-se com o leque e encantada com a gentileza da amiga.
Logo depois, se encontraram com a Minhoca, que tinha posto a cabeça para fora da terra, para tomar um pouco de ar.

- Amiga Minhoca, não vai à festa? disseram as amigas ao passar por ela.
- Não dá, sabe? Eu trabalho demais. Nem tenho tempo para comprar as coisas que preciso.
Estou sem ter uma roupa boa para vestir. Sinto bastante, porque sei que a festa vai ser muito divertida!
Mas, que se vai fazer...

- Ora amiga Minhoca, disse a Joaninha com pena dela. Dá-se um jeito...
Posso emprestar a minha faixa e com ela você ficará muito elegante!

A minhoca ficou contentíssima! E seguiu com as amigas para a festa.
Joaninha estava tão feliz, mas tão feliz  com a alegria das amigas que nem reparou ter dado tudo
o que ela havia posto para ficar mais bonita! Mas a alegria do seu coração aparecia nos olhos, no sorriso,
e em tudo o que ela dizia! E isso a fez tão linda, mas tão linda, que ninguém na festa  dançou e se divertiu mais do que ela! 

Foi aí que Joaninha descobriu que para a gente ficar bonita e se divertir não é preciso se enfeitar toda.
Basta ter o coração transbordando de felicidade, que essa alegria de dentro deixa a gente bonita por fora.
E ela conseguiu essa alegria porque fez todo aquele pessoal ficar feliz!

Entrou por uma porta e saiu por outra.
Quem quiser que conte outra.

 

Voltar