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Numa
bonita casa de campo viviam três porquinhos: Prático, Heitor e
Cícero.

Quando não
iam à escola, ficavam a brincar felizes e despreocupados no campo. Ao
escurecer, voltavam cansados e satisfeitos. Em casa esperava-os a sua
avozinha, que lhes preparava grandes bolos com natas e
morangos. Os três porquinhos eram muito
queridos na cidade, pois gostavam de cantar e dançar. Eram também muito
valentes e amigos de todos. A única coisa que eles temiam era um lobo
muito mau que rondava pela vizinhança, com muita vontade de comer os três
irmãozinhos assados.
Um dia,
Cícero, o menor deles, propôs: - Agora que já somos grandes,
podemos construir uma casa só para nós e viver sozinhos! Cada um
construirá a sua, a seu gosto.
Sairam a
procura de um lugar para construir suas casinhas. Queriam um lugar bem
lindo, com flores, árvores e um riacho. Numa encruzilhada, encontraram um
espantalho. Ele lhes contou existir, mais adiante um pouco,
o aprazível recanto que buscavam.

Os três
porquinhos seguiram em sua caminhada, até encontrarem o local indicado
pelo espantalho. Cícero não queria se cansar muito. Considerou que
bastariam uns tantos ramos e um pouco de palha entrançada para construir
uma cabaninha fresca e confortável. Tivera essa idéia ao ver a palha nos
ombros do espantalho, apanhara-a e como era bem levinha, fora com ela pelo
resto do caminho.

Acabou
logo a sua casinha e foi brincar. Heitor pensou que uma cabana de madeira seria
suficientemente confortável e resistente e que não teria de trabalhar
demasiado para construi-la.

Trabalhou
mais do que Cícero, mas ergueu uma bela casinha e ficou muito orgulhoso
dela. E também foi brincar depois de tudo pronto. De longe, o
lobo olhava a arrumação dos porquinhos... Prático ainda não havia começado
a sua casinha. Brincava com os seus irmãos, mas não parava de pensar como
seria a sua casinha. Prático pensou muito. Ele queria uma casa como a da
sua avozinha. Sabia que ia demorar mais e que precisava trabalhar
muito, mas achou que valia a pena o sacrifício. Os seus irmãos, que já
haviam construido rapidamente suas casinhas, riam dele e chamavam-no
para brincar. Prático não podia ir mais, pois precisava terminar a
sua casinha de tijolos.
Enquanto
seus irmão brincavam e fazimam piqueniques, ele foi erguendo sozinho a sua
casinha. Carregou o carrinho de mão, várias vezes, com tijolos e
cimento. Trabalhou com muito afinco. Quando a casa ficou pronta, dava
gosto ver, de tão bonita! - Assim, estarei protegido do lobo que,
de vez em quando, sai do bosque.

De fato, o
lobo veio. Primeiro bateu na casinha de palha: - Truz! Truz!
Truz! - Quem é? perguntou Cícero. - Um amigo...
Abra! respondeu o lobo, lambendo-se. - Não! És o lobo mau e
não te vou abrir a porta! - Ah, é? rosnou o lobo, rangendo os
dentes. Vê então como abro a tua porta! E de um sopro varreu a
cabaninha fazendo rolar para bem longe o porquinho. Cícero saiu
correndo para a casa de madeira de seu irmão Heitor.
O lobo foi
bater à porta do Heitor: - Abra! Não te farei mal! Heitor
também não quis abrir, mas um par de sopros foram suficientes para
destruir a sua casinha.

Cícero
e Heitor sairam correndo, a fugir do lobo, direto para a casinha de
tijolos de Prático, que graças a Deus, já estava
concluida.

O lobo,
muito esfomeado e zangado, dirigiu-se, então, para a casa de Prático,
disposto a agarrar os três porquinhos, porque eles não tinham mais para
onde ir. O lobo sabia que na casa da vovozinha nunca tinha conseguido
entrar, mas ela estava viajando e deixara a casa trancada. Era a hora de
papar os três porquinhos gordinhos!

-
Vai-te embora, lobão! respondeu o porquinho, quando o lobo gritou que
ele abrisse a porta. Desta vez, o lobo soprou e soprou muitas
vezes. A casinha, construída com cimento e tijolos, era demasiado
sólida até para ele. Igual a da vovozinha!!!

Por fim, o
lobo mau ficou sem forças. Aborrecido, levantou o punho,
ameaçando: - Por agora, deixo vocês... mas depressa voltarei! E vou
comer os três de uma só vez.
Heitor e
Cícero que estavam ao relento ficaram na casa de Prático e começaram a
pensar no que fazer quando o lobo chegasse. Cícero disse que poderiam se
esconder em cima da lareira, com uma rede na mão de cada um e, quando o
lobo descesse para a chaminé, jogariam as redes em cima dele para
prendê-lo. Heitor sugeriu que colocassem abóboras com os chapeuzinhos
deles, no sofá que ficava de costas para a lareira, para enganar o lobo,
porque senão ele poderia desconfiar.

Prático
disse que nada disso resolveria, pois o que não podia acontecer era o lobo
entrar na casinha dele. Se isso acontecesse eles estariam perdidos. Então
bolou um plano melhor. Quando se fez noite, o lobo voltou. Prático e
seus irmãos ouviram quando ele trepou por uma escada, para subir até o
telhado da casa. Enquanto se metia pela chaminé, o lobo lambia-se já
pensando no jantar à base de porquinhos assados. No entanto, Prático,
havia colocado uma panela de sopa no lume, e atiçou a chama com toda a
lenha que estava dentro da casa. O lobo já se encontrava no meio do
caminho quando começou a sentir um cheiro de queimado: era a sua cauda que
começava a chamuscar! Saiu pela chaminé e desapareceu
uivando.

No dia
seguinte, enquanto o malvado lobo, com a cauda entre as patas,
continuava a fugir para o mais longe possível, a povoação celebrava a
valentia do porquinho sábio e o retorno à
tranqüilidade.
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