PINÓQUIO
Baseado em "As Aventuras de Pinóquio"
Texto original de Carlos Collodi

 

 

Gepeto era um homem bom que morava sozinho numa casa.
Como era habilidoso e sentia falta de companhia, fez um boneco de madeira.
- Seu nome será Pinóquio, disse ele, ao terminar o boneco. Pena que não possa nem falar! Mas não faz mal. Mesmo assim, será meu amigo!

Certo dia, enquanto Gepeto dormia, a Fada Azul foi visitar Pinóquio. 
- Pimbinlimpimpim! disse ao entrar.
Como por encanto, Pinóquio deu um pulo e gritou:
- Estou vivo! Não sou mais um boneco qualquer! Obrigado, Fada! Agora, Gepeto terá com quem conversar!

- Foi por isso que eu vim, Pinóquio. Seu amigo, o velho Gepeto, é um homem bom e merecia uma recompensa. Vai ficar suspreso quando acordar. Vou ter que ir embora para terras distantes, mas deixo com você um amiguinho: o Grilo Pepe, um grilho falante que ajudará em seus primeiros tempos como boneco falante. Ele seá a sua consiência. É muito sábio e você deve escutá-lo sempre. Até logo, Pinóquio.

    

Assm dizendo a boa fada desapareceu. Pinóquio começou a testar seus braços e pernas, mover sua cabecinha, encantado com a liberdade de movimentos que aogra possuia. De repente, ouviu um canto de grilo.
Procurou o Grilo Pepe até encontrá-lo em cima do armário.

- Vou ajudar você a ser um bom boneco, Pinóquio.
- Será que eu preciso mesmo de uma consciência? indagou o boneco.
E foi dormir, cansado de tantas emoções.

No dia seguinte, quando Gepeto acordou e viu o boneco dando-lhe bom-dia, espantou-se:
- Será que estou sonhando?
- Não, Gepeto! Eu estou vivo, mesmo! Ontem, a Fada Azul veio aqui em casa e me encantou. Agora sou um boneco que fala e que anda!
- Que bom! Você será meu filho querido, Pinóquio!

Os dias se passaram... Gepeto matriculou Pinóquio numa escola para que ele pudesse aprender a ler, a falar e contar corretamente. Pinóquio foi para a escola, acompanhado pelo Grilo  Pepe.

No caminho, Pinóquio encontrou-se com o Gato e a Raposa.
- Olá, Pinóquio! saudou a Raposa.
- Olá, Dona Raposa, respondeu o boneco.
- Você está indo para a escola, é? perguntou a Raposa, xeretando nos livros de Pinóquio.

- Estou, sim. Porquê?
- Ora, por nada, mentiu a Raposa. É que há um circo na cidade, e nós poderíamos ir até lá.
- Porque vais para a Escola havendo por aí tantos lugares bem mais alegres? perguntou o Gato, soltando uma larga baforada.

- Não dê ouvidos a eles! avisou Pepe.

Pinóquio nem deu importância ao Grilo Pepe. Maravilhado com a idéia, pois para ele tudo era novidade, resolveu, então, faltar à aula e ir ao espetáculo com os dois vadios, sem saber que eles queriam mesmo era vendê-lo...

Pinóquio acabou à frente de Strombóli,o dono de um teatrinho de marionetes.
- Comigo serás o artista mais famoso do mundo! segredou-lhe o astucioso Strombóli.
O espetáculo começou.

Pinóquio foi a estrela, principalmente pelos seus erros, que causaram muita risota.

 

Os outros bonecos eram hábeis, enquanto o novo só fazia asneiras...

   

 Porisso triunfou!
No final do espetáculo, Pinóquio quis ir embora, mas Strombóli tinha outros planos.

- Ficarás preso nesta jaula, boneco falante. Vales mais que um diamante!
Por sorte, o Grilo Pepe conseguiu avisar a Fada Azul, que enviou uma Borboleta Mágica para salvar Pinóquio.

Quando se recompôs do susto, a Borboleta perguntou-lhe aonde vivia.
- Não tenho casa, respondeu o boneco.
A Borboleta voltou a fazer-lhe a mesma pergunta, e ele a dar a mesma resposta.

Cada vez que mentia, o nariz crescia-lhe mais um pouco, portanto não conseguiu enganar a Borboleta Mágica.
- Não quero este nariz! soluçou Pinóquio.
- Terás que te portar bem e não mentir! Volta para casa e para a Escola, disse-lhe a nova amiguinha.

Depois de regressar a casa, onde foi recebido com muita alegria por Gepeto, Pinóquio portou-se bem por uns tempos. Mas era muito curioso e ávido de novas experiências, nem sempre escutando os conselhos insistentes do Grilo.

De novo indo para a escola, reencontrou a Raposa, que o convidou a acompanhá-la até a Ilha dos Jogos.

Nessa Ilha os meninos podiam fazer tudo o que quisessem e que os adultos não lhe permitiam: jogar, beber, fumar, quebrar os vidros das janelas, de propósito. Tudo era permitido e nada nunca estava proibido.

O Grilo Pepe tentou impedir Pinóquio de seguir os maus conselhos , mas seus esforços foram em vão.

A Raposa deixou-o numa carruagem cheia de meninos que seguiriam para a Ilha de navio. Durante a viagem Pinóquio fez um amigo, que também estava encantado com a liberdade que teriam na Ilha.

O Grilo, fiel ao que prometera a Fada Azul seguiu Pinóquio, dependurado na crina dos cavalos da carruagem.

Quando os portões da Ilha fecharam, o Grilo ficou intrigado e começou a tentar descobrir o que se passava de verdade ali. E descobriu!!!

Os meninos se transformavam em burros de carga e eram colocados em caixotes para serem vendidos.

Enquanto o Grilo descobria isso, Pinóquio já notava assustado a sua transformação e de seu amigo, com as orelhas de burro e o rabo e a voz já saindo num zurro.

 

Valeu-lhe mais uma vez o Grilo Pepe.
- Anda, Pinóquio. Conheço uma porta secreta... Não te queres transformar definitivamente em burro, pois não? Vão vender todos vocês para trabalharem carregando carga a vida toda!

Pinóquio e o Grilo sairam correndo e do alto do penhasco se atiraram ao mar, para fugir do mal destino já certo. Pinóquio perdeu o rabo e as orelhas, tão logo pisou em terra firme. Ele e o Grilo voltaram para casa. Só que isso demorou alguns dias. Ao chegarem de volta encontraram a casa vazia. Por uns marinheiros souberam que Gepeto se tinha feito ao mar num bote, procurando por Pinóquio. Como o Grilo Pepe era muito esperto, ensinou Pinóquio a construir uma jangada, para procurarem por Gepeto.
Dois dias mais tarde, quando navegavam já longe de terra, avistaram uma baleia.

- Essa baleia vem direto para nós! gritou Pepe. Saltemos para a água!
Não puderam salvar-se! A baleia engoliu-os de uma só vez, com jangada e tudo.
Dentro da barriga da baleia, as ondas de água iam e viam, balançando a jangada. Estava muito frio e escuro.

O Grilo Pepe tirou do bolso uma caixa de fósforos e uma vela (previdente esse Grilo), acendeu-a, tentando enxergar algo naquele breu.
Para surpresa de todos, descobriram Gepeto, que naufragara no mar durante uma tempestade e também fora engolido pela mesma baleia.

 

Depois de se terem abraçado, como estava muito frio ali dentro, resolveram fazer uma fogueira.
Com o fumaçal que se levantou da madeira molhada queimando, a baleia deu um grande espirro, lançando-os para fora, de volta ao mar.
Assim conseguiram voltar para a praia. Ao chegarem em casa, Pinóquio estava pensativo.
- Perdoa-me, papai, suplicou muito arrependido.
A partir dali, mostrou-se tão dedicado e bondoso que a Fada Azul, no dia do seu primeiro aniversário, transformou-o em um menino de carne e osso: um menino de verdade.
- Agora tenho um filho verdadeiro! exclamou contentíssimo Gepeto.

Pinóquio passou a ser um menino igual aos outros e, nunca mais, Gepeto precisou preocupar-se com ele.

Entrou por uma porta e saiu por outra...
Quem quiser que conte outra!

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