Contos dos Irmãos Grimm

Os Lobo e os Sete Cabritinhos

 

Era uma vez uma cabra, que morava com seus sete cabritinhos em uma linda casinha com quintal e jardim.
Certo dia, pela manhã, antes de mamãe sair para o mercado, fazer compras, souberam que havia um lobo mau soltona redondeza. Muitas pessoas já o tinham encontrado e ele fora visto, pela última vez, fugindo para perto do rio. Os cabritinhos lamentaram a notícia, pois desejavam brincar no jardim.
- Ah! Logo hoje que íamos começar nosso clube novinho lá fora!

Mamãe Cabra não quis saber. Falou sério com seus sete cabritinhos, e todos entenderam muito bem.
- Ninguém sai de casa hoje enquanto vou ao mercado. A porta fica fechada com a chave. Não abram para ninguém. Vocês conhecem a mamãe: quando voltar, chamarei pela janela com minha voz de sempre, e baterei de levinho no vidro com minha pata clarinha e de unhas curtas. Aprendam que o lobo mau tem um vozeirão terrível e uma pata escura enorme cheia de unhas gigantes. Muito cuidado!
- Está bem, mamãe. Pode confiar em nós. Vamos ficar bem atentos.

E lá se foi a Mamãe Cabra para as compras. Encontrou sua amiga no caminho, e foi logo comentando como estava preocupada em sair para o mercado com aquele lobo mau solto por aí.
O que elas não sabiam, é que o lobo mau estava ali bem pertinho, disfarçado e escutando tudo. Ouvindo a conversa das amigas ele logo pensou:
- Sete cabritinhos sozinhos em casa, e eu com tanta fome!

Jogando fora seu disfarce correu para a casa da Mamãe Cabrita. Tentou abrir a porta e viu que estava trancada.
- Abram a porta! Está trancada!
- Não vamos abrir nada, seu lobo bobo. A voz da mamãe é suave e macia, só vamos abrir para ela!

O lobo ficou furioso. Tinha que ter alguma idéia. Aqueles cabritinhos só iam abrir para a mãe, então ele precisava enganá-los? O lobo correu até a confeitaria, escolheu a melhor torta de maçã e mel, engoliu-a inteirinha, querendo adoçar a voz. Treinou falar cantadinho como a Mamãe Cabra.
- Abram a porta! É a mamãe!
Aquela não parecia mais a voz do lobo! Os cabritinhos ficaram em dúvida, pois também não parecia com a voz da mamãe. Lembrando-se dos conselhos recebidos, eles disseram:


- Se é a mamãe, mostre sua patinha na janela.
O lobo, pego de surpresa, mostrou a sua pata grande e escura.
- Vá embora seu lobo mau! As patinhas da mamãe são bem clarinhas! E sem garras!
O lobo teve então outra idéia: correu até o moinho e afundou as patas na farinha branquinha. Bateu de volta na porta, ainda adoçando a voz, e novamente foi parar com a pata na janela. Desta vez ele encolheu bem as unhas. Os cabritinhos ficaram em dúvida, olharam uns para os outros... e resolveram abrir a porta.

 

Para que? Foi uma correria danada, todos tentando se esconder. Tinha cabritinho escondido na lareira, nos armários, em baixo da mesa, embaixo dos brinquedos, em toda parte. O lobo foi caçando um por um, engolindo por inteiro cada cabritinho, tanta fome que estava.

   

     

Perdeu a conta de quantos cabritinhos já tinham entrado naquele barrigão cheio. Procurou, procurou e achou que já engolira os sete. E depois, já estava com um barrigão enorme. Foi embora, pensando não ter restado nenhum cabritinho mais.

Ainda ficou na dúvida e voltou para conferir, mas nada encontrando foi mesmo embora. Ele estava mesmo enganado: um dos cabritinhos não foi encontrado em seu esconderijo, dentro do relógio carrilhão. Apesar do lobo ter parado em frente ao relógio, o tic-tac atrapalhou seu ouvido e ele não escutou o coraçãozinho assustado escondido lá dentro.

    

Mamãe Cabra vinha muito preocupada de suas compras. Nunca a floresta lhe parecera tão assustadora. Apreensiva: não via a hora de chegar em casa.

Quando viu a porta de sua casa escancarada, seu coração acelerou e ela já entrou esperando pelo pior.

   

A casa estava uma enorme desordem, tudo revirado e os seus filhotes não se encontravam em lugar nenhum.

 

 Ante as evidências, a Mamãe Cabra começou a chorar, lamentando:
- O lobo levou todos os meus filhinhos!
- Todos, não mamãe. Eu ainda estou aqui!

 

Mamãe Cabra foi ver de onde saia essa voz e encontrou seu filhinho dentro do relógio carrilhão.
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Os dois se abraçaram muito, e decidiram ir atrás do lobo, tentar salvar os outros irmãozinhos

Correram em direção ao rio, onde haviam dito ficar o esconderijo dele. Ao chegarem perto, logo ouviram um som terrível: ROM... URM... ROM... Era o lobo roncando, dormindo sob as árvores na beira do rio.

Mamãe Cabra teve uma idéia, e disse ao filho:
- Não faça nenhum barulho para não acordar o lobo. Corra com toda sua velocidade até lá em casa, e traga a cesta de costura da mamãe. Veja se ali estão a minha tesoura grande, agulha e linhas.
O cabritinho nem respondeu. Saiu correndo como o vento e logo estava de volta com sua encomenda.

 

Mamãe Cabra não perdeu tempo! Com sua tesoura foi abrindo o barrigão do lobo enquanto ele dormia. Foram saltando vivinhos, um por um, os seis cabritinhos que ele tinha engolido.

 

 A todos eles a Mamãe pedia silêncio. Quando os seis saíram, ela disse em segredo:
- Vão procurar as pedras maiores e mais pesadas que encontrarem, mas não façam barulho nem demorem.
Logo chegaram pedras em quantidade suficiente.

 

Mamãe colocou todas na barriga do lobo, e costurou rápido com agulha e linha. Então, todos foram se esconder, para ver o que aconteceria. Quando o lobo acordou, sentiu a barriga muito pesada e a boca muito seca. Levantou-se com muito esforço, quase não conseguiu ficar de pé. Arrastou-se até o rio querendo beber água.

   

A correnteza estava muito forte. O lobo com a barriga cheia de pedras acabou indo parar no fundo do rio, de onde nunca mais saiu.

     

Mamãe Cabra e seus cabritinhos ainda viram a garra do lobo, como se acenando um adeus... Adeus à maldade e mentiras que caracterizaram a sua vida.

Todos puderam comemorar o fim do malvado. Mamãe Cabra preparou um delicioso jantar para comemorar a volta de seus cabritinhos e a morte do lobo.


Os cabritinhos ficarm muito felizes, pois agora poderiam correr livremente no caminho para casa.

Entrou por uma porta e saiu por outra...
Quem quiser que conte outra!

 

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