AVENTURAS DE XUMBURI
O Macaco Inteligente que até parecia Gente...
Antonio de Pádua Morse
Ilustrações de Hilde Weber
Animações de Maux

 

XUMBURI, O CHUPA OVO.

É o Antoninho um dos fãs
das galinhas catalãs.
Tem no quintal várias delas,
todas bem pretas e belas.
Mas que galinhas vadias!
Não botam, dias e dias!

As galinhas do vizinho
não são como as do Antoninho.
Legornes de raça pura,
impressionam pela alvura.
E botam, meses a fio,
quer no inverno, quer no estio.

Um dos prazeres simiescos
é chupar ovos bem frescos.
Xumburi, símio normal,
não foge à regra geral,
e vai todas as manhãs
vistar as catalãs.
Mas, quase sempre, o coitado
retorna desconsolado.
É que acha vazio o ninho
das galinhas do Antoninho.
Lá no quintal do diabrete,
ovo é... manga de colete...
Como se explica tal fato
se no vizinho ovo é... mato?

Dando tratos ao bestunto,
o macaco estuda o assunto.
Depois de mil deduções,
tira claras conclusões:
legornes e catalãs
se parecem como irmãs.
Se umas botam e outras não,
deve haver explicação...
A cor - o macaco pensa -
é a razão da diferença!
Portanto, a postura apenas
depende da cor das penas!
E, como engenho lhe sobra,
logo mete mãos à obra.

Lá do fundo do quintal
traz uma lata de cal.
E apronta uma solução
para um banho de imersão.
Agora - tchumbum ! - na lata
as galinhas quase mata.
Porém a sorte é que as salva
e cada qual sai mais alva.
Ei-las, depois, ao sol quente,
que as seca rapidamente.
Debicando, bem serenas,
vão comendo o cal das penas.
Mas não tem nada de novo
que de cal é a casca do ovo...
Antoninho - o descuidado -
cal às aves não tem dado.
Agora, as galinhas tem
a ração que lhes convém...

Dessa caiação em diante,
estão botando bastante.
Se o cal não mais lhes faltar,
farão fila pra botar...

E Xumburi que, no caso,
descobriu por mero acaso,
qual Pedro Alvares Cabral,
o remédio que, afinal,
pos em brio as catalãs,
agora, pelas manhãs,
quando vai ao galinheiro,
sempre volta prazenteiro,
pois ovo é o que nunca falta
para a goela do peralta...

Entrou por uma porta e saiu por outra...
Quem quiser que conte outra!

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