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XUMBURI, O
CHUPA OVO.

É o
Antoninho um dos fãs das galinhas catalãs. Tem no quintal várias
delas, todas bem pretas e belas. Mas que galinhas vadias! Não
botam, dias e dias!

As
galinhas do vizinho não são como as do Antoninho. Legornes de raça
pura, impressionam pela alvura. E botam, meses a fio, quer no
inverno, quer no estio.

Um dos
prazeres simiescos é chupar ovos bem frescos. Xumburi, símio
normal, não foge à regra geral, e vai todas as manhãs vistar as
catalãs. Mas, quase sempre, o coitado retorna desconsolado. É que
acha vazio o ninho das galinhas do
Antoninho. Lá no quintal do diabrete, ovo é... manga de
colete... Como se explica tal fato se no vizinho ovo é...
mato?

Dando
tratos ao bestunto, o macaco estuda o assunto. Depois de mil
deduções, tira claras conclusões: legornes e catalãs se parecem
como irmãs. Se umas botam e outras não, deve haver
explicação... A cor - o macaco pensa - é a razão da
diferença! Portanto, a postura apenas depende da cor das
penas! E, como engenho lhe sobra, logo mete mãos à
obra.

Lá do
fundo do quintal traz uma lata de cal. E apronta uma solução para
um banho de imersão. Agora - tchumbum ! - na lata as galinhas quase
mata. Porém a sorte é que as salva e cada qual sai mais
alva. Ei-las, depois, ao sol quente, que as seca
rapidamente. Debicando, bem serenas, vão comendo o cal das
penas. Mas não tem nada de novo que de cal é a casca do
ovo... Antoninho - o descuidado - cal às aves não tem
dado. Agora, as galinhas tem a ração que lhes
convém...

Dessa
caiação em diante, estão botando bastante. Se o cal não mais lhes
faltar, farão fila pra botar...

E Xumburi
que, no caso, descobriu por mero acaso, qual Pedro Alvares
Cabral, o remédio que, afinal, pos em brio as catalãs, agora,
pelas manhãs, quando vai ao galinheiro, sempre volta
prazenteiro, pois ovo é o que nunca falta para a goela do
peralta...

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