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O TRISTE
FIM DE UM TRAQUINAS.

Graças aos
hábitos novos das catalãs, sobram ovos. Prá Xumburi, tal
fartura sugere nova diabrura. Numa cesta que arranjara, algumas
dúzias separa. À noite, ao surgir a lua, sai com os ovos para a
rua. Algo importante planeja, pois vai à praça da igreja. Lá, num
plátano copado, dentro em pouco, ei-lo instalado. Ansioso, aguarda o
papalvo que lhe vai servir como alvo.

Nisto,
chega alguém de branco e se acomoda num banco. Tosse, tira o seu
pigarro, depois acende um cigarro. Não há melhor ocasião pra
fazer a "ovação"!... Xumburi tem boa mira e um ovo lá do alto
atira. E eis que a vítima infeliz o recebe no nariz! Agora atira
de novo um ovo e, depois, outro ovo... Sempre atingindo a
meta vai fazendo... uma omeleta... A cesta do malandrim parece
que não tem fim... O terno tão branco e belo torna-se terno...
amarelo... O povo todo da praça corre a ver o que se passa, e
acha, todo lambuzado, - vejam quem! - o delegado! O mesmo que
prometeu mil cruzeiros e... não deu! Toda a solidariedade é
prestada à autoridade. O povo cochicha e ri, porém cerca
Xumburi!

Nessa
emergência tão triste, audaz, Xumburi
resiste. Não tendo mais nenhum ovo, atira galhos no
povo. Mas, de repente, se alarma, pois alguém lhe aponta uma
arma. Então, dando um grande salto, se entrega de mãos pra o
alto. Dos macacos, o fim lógico, é sempre o jardim
zoológico. Xumburi, por exceção, foi parar numa prisão. E entre
os malandros se alinha, bem junto de
Fio-de-Linha...

Oh! Que
vergonha, que horror, ter o fim de um malfeitor! Antoninho, esse -
coitado! - de tristeza tem chorado. E também o povo, em
peso, deplora a sorte do preso. Porém tantas ele fez que bem
merece o xadrez... Alguns meses de prisão vão servir-lhe de
lição. E, desta maneira inglória, vai terminar essa
história. Nela se vê que é acertado esse rifão tão surrado: -
"Quem vento planta, em verdade, sempre colhe
tempestade".
EM
TEMPO
Apesar do
grave fato, ou seja, do desacato que sofreu o delegado, num longo
abaixo-assinado, contendo razões de vulto, o povo pediu-lhe o
indulto do macaco, cuja falta era a de ser... um
peralta. Ademais, o símio tinha prendido Fio-de-Linha, nota que
fora incluida em sua folha corrida, atestando, sem favor, boa
conduta anterior, que o perdão recomendava. E a petição
terminava invocando a dirimente de... macaco não ser
gente...

Para dar a
decisão, para dizer sim ou não, o delegado, no caso, naturalmente
tem prazo. Ele vai pensar, agora, e é quase certa a
demora... Este livro, infelizmente, orecisa ter fecho
urgente, pois nosso editor tem pressa de ver esta história
impressa... O despacho que, afinal, à petição será dado deixa de
ser publicado. O macaco, desta feita, ficará na cela estreita? Ou
será que a autoridade vai botá-lo em liberdade? Fechemos a história
aqui, torcendo por Xumburi.

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