AVENTURAS DE XUMBURI
O Macaco Inteligente que até parecia Gente...
Antonio de Pádua Morse
Ilustrações de Hilde Weber
Animações de Maux

 

O TRISTE FIM DE UM  TRAQUINAS.

Graças aos hábitos novos
das catalãs, sobram ovos.
Prá Xumburi, tal fartura
sugere nova diabrura.
Numa cesta que arranjara,
algumas dúzias separa.
À noite, ao surgir a lua,
sai com os ovos para a rua.
Algo importante planeja,
pois vai à praça da igreja.
Lá, num plátano copado,
dentro em pouco, ei-lo instalado.
Ansioso, aguarda o papalvo
que lhe vai servir como alvo.

Nisto, chega alguém de branco
e se acomoda num banco.
Tosse, tira o seu pigarro,
depois acende um cigarro.
Não há melhor ocasião
pra fazer a "ovação"!...
Xumburi tem boa mira
e um ovo lá do alto atira.
E eis que a vítima infeliz
o recebe no nariz!
Agora atira de novo
um ovo e, depois, outro ovo...
Sempre atingindo a meta
vai fazendo... uma omeleta...
A cesta do malandrim
parece que não tem fim...
O terno tão branco e belo
torna-se terno... amarelo...
O povo todo da praça
corre a ver o que se passa,
e acha, todo lambuzado,
- vejam quem! - o delegado!
O mesmo que prometeu
mil cruzeiros e... não deu!
Toda a solidariedade
é prestada à autoridade.
O povo cochicha e ri,
porém cerca Xumburi!

Nessa emergência tão triste,
audaz, Xumburi resiste.
Não tendo mais nenhum ovo,
atira galhos no povo.
Mas, de repente, se alarma,
pois alguém lhe aponta uma arma.
Então, dando um grande salto,
se entrega de mãos pra o alto.
Dos macacos, o fim lógico,
é sempre o jardim zoológico.
Xumburi, por exceção,
foi parar numa prisão.
E entre os malandros se alinha,
bem junto de Fio-de-Linha...

Oh! Que vergonha, que horror,
ter o fim de um malfeitor!
Antoninho, esse - coitado! -
de tristeza tem chorado.
E também o povo, em peso,
deplora a sorte do preso.
Porém tantas ele fez
que bem merece o xadrez...
Alguns meses de prisão
vão servir-lhe de lição.
E, desta maneira inglória,
vai terminar essa história.
Nela se vê que é acertado
esse rifão tão surrado:
- "Quem vento planta, em verdade,
sempre colhe tempestade".

EM TEMPO

Apesar do grave fato,
ou seja, do desacato
que sofreu o delegado,
num longo abaixo-assinado,
contendo razões de vulto,
o povo pediu-lhe o indulto
do macaco, cuja falta
era a de ser... um peralta.
Ademais, o símio tinha
prendido Fio-de-Linha,
nota que fora incluida
em sua folha corrida,
atestando, sem favor,
boa conduta anterior,
q
ue o perdão recomendava.
E a petição terminava
invocando a dirimente
de... macaco não ser gente...

Para dar a decisão,
para dizer sim ou não,
o delegado, no caso,
naturalmente tem prazo.
Ele vai pensar, agora,
e é quase certa a demora...
Este livro, infelizmente,
orecisa ter fecho urgente,
pois nosso editor tem pressa
de ver esta história impressa...
O despacho que, afinal,
à petição será dado
deixa de ser publicado.
O macaco, desta feita,
ficará na cela estreita?
Ou será que a autoridade
vai botá-lo em liberdade?
Fechemos a história aqui,
torcendo por Xumburi.

Entrou por uma porta e saiu por outra...
Quem quiser que conte outra!

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