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XUMBURI VAI GANHAR UM
TERNO

O
Antoninho, dia a dia, mais ao macaco queria, e, como chegasse o
inverno, deliberou dar-lhe um terno, pois animal também
sente frio e calor como a gente...

Na antiga
alfaiataria onde o seu José servia, com rara capacidade, a nata
da sociedade, fez-se a escolha da fazenda. E o Antoninho
recomenda: - Seu José, muito capricho Na roupinha deste
bicho!

O seu José
que, em verdade, era, na localidade, o alfaiate mais
perito, fez-lhe um terninho bonito, de casaca bem cintada, por
sinal, toda enfeitada com vistosos alamares que lhe davam certos
ares da farda que os almirantes põem nos atos importantes, sendo
o colete e a calcinha, ambos de impecável linha, com risquinhos em
xadrez, tudo em fino pano inglês!

E quando
foi feita a prova da galante roupa nova, ao se ver diante do
espelho parecendo um rapazelho, o macaco, emocionado, ficou tão
descontrolado que deu saltos de alegria.

E, sem ver
o que fazia, foi cair sobre a cerviz de um diligente
aprendiz que, entretido, trabalhava, pondo a manga numa
cava.

Mas, por
cúmulo do azar, o rapaz, sem esperar aquela carga no lombo, Levou
desastrado tombo, tão infeliz trambolhão que foi de nariz ao
chão...

Xumburi,
bom animal, não fez aquilo por mal. Como prova,
aflito, agora, a traquinice deplora e, vendo o sangue que
escorre, à farmácia logo corre, pois, sendo esperto, sabia que em
casos de hemorragia no nariz põe-se um tampão ou de gase ou de
algodão. Porém, ao sair à rua, (vejam só que sorte a
sua) encontra um homem vendendo certo algodão que só
vendo: alvadio, fofo, leve, tal como floco de neve. Estava achado
o remédio! Xumburi por gestos pede-o e retorna com o
chumaço de algodão sob o seu braço.

Mas, ao
fazer o tampão, - Oh! que grande decepção!
- verifica, contrafeito, que de açúcar era feito e
não passava de um doce o lindo algodão que trouxe. Felizmente a
hemorragia, que tão grave parecia, parara, e a sorte assim quis,
que em vez de ir para o nariz fosse o "algodão" para a
pança... E houve alegre comilança...

A ROUPINHA FICOU
PRONTA
Ao
cabo de uma semana, quando uma linda banana comia no seu
almoço, o macaco, com alvoroço, viu que entrava pela
sala trazendo o terno de gala, o tal moço que o nariz nao
rebentou por um triz...

E,
como sempre, moleque, fazendo um salamaleque com grotesco
espalhafato, para mostrar que era grato, em meio de muita
festa prega-lhe um beijo na testa! O rapaz, limpando o
rosto, acha o beijo de mau gosto... Mas sorri, mau grado a
custo, quando refeito do susto, pois que manda a polidez tratar
bem qualquer fregues...

O ERRO DE SEU
JOSÉ
Se
fosse supersticioso, Xumburi, certo, receoso teria ficado
diante de coincidência chocante de haver recebido a bela, tão
desejada farpela, dia treze, sexta-feira.

Porém, sabendo que é asneira, que é rematada
tolice compartilhar da crendice de que treze é dia aziago, sem
temer nenhum estrago no seu terno, ele, tranquilo, foi tratando de
vesti-lo. Mas sem saber por que peça a toalete se começa, veste o
colete e a casaca e, fazendo pose, estaca diante do espelho e se
mira, contemplando a casimira que o talhe da roupa
realça.

Contudo, ao vestir a calça - Oh! que transtorno,
que diabo! - não sabe onde por o rabo, pois a calça de um
macaco precisa ter um buraco, e o alfaiate, por preguiça, fez-lhe
uma calça inteiriça...

Agora, o macaco
enfrenta um problema que o apoquenta, pois lhe surge esta
questão de difícil solução: - Ou ia logo às do cabo, cortando seu
lindo rabo, ou - que remédio? - ele tinha que desistir da
calcinha. Tristonho o símio medita e entre a calça e o rabo
hesita... Nisso, providencialmente, aparece, de repente, o
Antoninho e, vendo-o triste concluiu logo: - Algo existe... Ao
descobrir, com presteza, qual a razão da tristeza, de riso ele quase
estoura.

Empunhando uma
tesoura, mesmo não sendo do ofício, faz na calça um
orifício. Xumburi teve, afinal, uma solução ideal. E foi bom...
Daria dó ve-lo sem calça ou... cotó... |