AVENTURAS DE XUMBURI
O Macaco Inteligente que até parecia Gente...
Antonio de Pádua Morse
Ilustrações de Hilde Weber
Animações de Maux

 

 

XUMBURI VAI GANHAR UM TERNO

O Antoninho, dia a dia,
mais ao macaco queria,
e, como chegasse o inverno,
deliberou dar-lhe um terno,
pois animal também sente
frio e calor como a gente...

Na antiga alfaiataria
onde o seu José servia,
com rara capacidade,
a nata da sociedade,
fez-se a escolha da fazenda.
E o Antoninho recomenda:
- Seu José, muito capricho
Na roupinha deste bicho!

O seu José que, em verdade,
era, na localidade,
o alfaiate mais perito,
fez-lhe um terninho bonito,
de casaca bem cintada,
por sinal, toda enfeitada
com vistosos alamares
que lhe davam certos ares
da farda que os almirantes
põem nos atos importantes,
sendo o colete e a calcinha,
ambos de impecável linha,
com risquinhos em xadrez,
tudo em fino pano inglês!

E quando foi feita a prova
da galante roupa nova,
ao se ver diante do espelho
parecendo um rapazelho,
o macaco, emocionado,
ficou tão descontrolado
que deu saltos de alegria.

E, sem ver o que fazia,
foi cair sobre a cerviz
de um diligente aprendiz
que, entretido, trabalhava,
pondo a manga numa cava.

Mas, por cúmulo do azar,
o rapaz, sem esperar
aquela carga no lombo,
Levou desastrado tombo,
tão infeliz trambolhão
que foi de nariz ao chão...

Xumburi, bom animal,
não fez aquilo por mal.
Como prova, aflito, agora,
a traquinice deplora
e, vendo o sangue que escorre,
à farmácia logo corre,
pois, sendo esperto, sabia
que em casos de hemorragia
no nariz põe-se um tampão
ou de gase ou de algodão.
Porém, ao sair à rua,
(vejam só que sorte a sua)
encontra um homem vendendo
certo algodão que só vendo:
alvadio, fofo, leve,
tal como floco de neve.
Estava achado o remédio!
Xumburi por gestos pede-o
e retorna com o chumaço
de algodão sob o seu braço.

Mas, ao fazer o tampão,
- Oh! que grande decepção! -
verifica, contrafeito,
que de açúcar era feito
e não passava de um doce
o lindo algodão que trouxe.
Felizmente a hemorragia,
que tão grave parecia,
parara, e a sorte assim quis,
que em vez de ir para o nariz
fosse o "algodão" para a pança...
E houve alegre comilança...

A ROUPINHA FICOU PRONTA

Ao cabo de uma semana,
quando uma linda banana
comia no seu almoço,
o macaco, com alvoroço,
viu que entrava pela sala
trazendo o terno de gala,
o tal moço que o nariz
nao rebentou por um triz...

E, como sempre, moleque,
fazendo um salamaleque
com grotesco espalhafato,
para mostrar que era grato,
em meio de muita festa
prega-lhe um beijo na testa!
O rapaz, limpando o rosto,
acha o beijo de mau gosto...
Mas sorri, mau grado a custo,
quando refeito do susto,
pois que manda a polidez
tratar bem qualquer fregues...

O ERRO DE SEU JOSÉ

Se fosse supersticioso,
Xumburi, certo, receoso
teria ficado diante
de coincidência chocante
de haver recebido a bela,
tão desejada farpela,
dia treze, sexta-feira.

Porém, sabendo que é asneira,
que é rematada tolice
compartilhar da crendice
de que treze é dia aziago,
sem temer nenhum estrago
no seu terno, ele, tranquilo,
foi tratando de vesti-lo.
Mas sem saber por que peça
a toalete se começa,
veste o colete e a casaca
e, fazendo pose, estaca
diante do espelho e se mira,
contemplando a casimira
que o talhe da roupa realça.

Contudo, ao vestir a calça
- Oh! que transtorno, que diabo! -
não sabe onde por o rabo,
pois a calça de um macaco
precisa ter um buraco,
e o alfaiate, por preguiça,
fez-lhe uma calça inteiriça...

Agora, o macaco enfrenta
um problema que o apoquenta,
pois lhe surge esta questão
de difícil solução:
- Ou ia logo às do cabo,
cortando seu lindo rabo,
ou - que remédio? - ele tinha
que desistir da calcinha.
Tristonho o símio medita
e entre a calça e o rabo hesita...
Nisso, providencialmente,
aparece, de repente,
o Antoninho e, vendo-o triste
concluiu logo: - Algo existe...
Ao descobrir, com presteza,
qual a razão da tristeza,
de riso ele quase estoura.

Empunhando uma tesoura,
mesmo não sendo do ofício,
faz na calça um orifício.
Xumburi teve, afinal,
uma solução ideal.
E foi bom... Daria dó
ve-lo sem calça ou... cotó...

Entrou por uma porta e saiu por outra...
Quem quiser que conte outra!

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