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RAPADURA?
SÓ BEM DURA!

Antoninho
vai à escola e já prepara a sacola. Seu lanche - que gostosura!
- reforça com rapadura. Deixa-o, porém, sobre a mesa e... vai ter
uma surpresa. É que Xumburi, guloso, acha o lanche apetitoso. E
se pudesse come-lo dava em troca o próprio
pelo. Por isso, pensa e repensa e vai direto à despensa. Um
sabão, então, procura que pareça rapadura. Tendo-o achado, o
maganão faz a substituição.

Lá no
quintal, ele agora a rapadura devora. O resultado antegoza da
travessura engenhosa. Antoninho, descuidado, embrulha o lanche
apressado. Sem saber do sortilégio, vai, feliz, para o
colégio. Passa o tempo e isso permite que se lhe aguce o
apetite.

Do
recreio, o bom servente toca o sino, finalmente. Tira o menino, o
papel que embrulha o seu bom farnel. E - zás! - a dentada cega na
"rapadura" pespega. Mas sente um gosto esquisito e diz: - Socorro!
Eu vomito! Que terrível dor de barriga! Rapadura de uma
figa! Colegas e mestres correm e prontamente o socorrem. É
que de médico e louco toda a gente tem um pouco...

Para
acalmar-lhe a aflição um copo de água lhe dão. Água e sabão! - que
tortura suportar essa mistura! Pois não faz com que a dor suma, e
agora o menino espuma... Lindas bolhas irisadas lhe saem da boca,
formadas. Quanto mais ele se agita, mais cresce a espuma
maldita! Causa pena, causa mágoa, vê-lo após o copo
d'água!...

O
servente, ao saber disso, vem prestar o seu serviço. E, por uma
perna só, alça o coitado, sem dó! Do bucho o sabão lhe salta e
ei-lo bom: pode ter alta... Antoninho, descuidado, anda agora
desconfiado. Se come uma rapadura, primeiro vê se é bem
dura... |