AVENTURAS DE XUMBURI
O Macaco Inteligente que até parecia Gente...
Antonio de Pádua Morse
Ilustrações de Hilde Weber
Animações de Maux

 

RAPADURA? SÓ BEM DURA!

Antoninho vai à escola
e já prepara a sacola.
Seu lanche - que gostosura! -
reforça com rapadura.
Deixa-o, porém, sobre a mesa
e... vai ter uma surpresa.
É que Xumburi, guloso,
acha o lanche apetitoso.
E se pudesse come-lo
dava em troca o próprio pelo.
Por isso, pensa e repensa
e vai direto à despensa.
Um sabão, então, procura
que pareça rapadura.
Tendo-o achado, o maganão
faz a substituição.

Lá no quintal, ele agora
a rapadura devora.
O resultado antegoza
da travessura engenhosa.
Antoninho, descuidado,
embrulha o lanche apressado.
Sem saber do sortilégio,
vai, feliz, para o colégio.
Passa o tempo e isso permite
que se lhe aguce o apetite.

Do recreio, o bom servente
toca o sino, finalmente.
Tira o menino, o papel
que embrulha o seu bom farnel.
E - zás! - a dentada cega
na "rapadura" pespega.
Mas sente um gosto esquisito
e diz: - Socorro! Eu vomito!
Que terrível dor de barriga!
Rapadura de uma figa!
Colegas e mestres correm
e prontamente o socorrem.
É que de médico e louco
toda a gente tem um pouco...

Para acalmar-lhe a aflição
um copo de água lhe dão.
Água e sabão! - que tortura
suportar essa mistura!
Pois não faz com que a dor suma,
e agora o menino espuma...
Lindas bolhas irisadas
lhe saem da boca, formadas.
Quanto mais ele se agita,
mais cresce a espuma maldita!
Causa pena, causa mágoa,
vê-lo após o copo d'água!...

O servente, ao saber disso,
vem prestar o seu serviço.
E, por uma perna só,
alça o coitado, sem dó!
Do bucho o sabão lhe salta
e ei-lo bom: pode ter alta...
Antoninho, descuidado,
anda agora desconfiado.
Se come uma rapadura,
primeiro vê se é bem dura...

Entrou por uma porta e saiu por outra...
Quem quiser que conte outra!

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