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A COZINHEIRA
Tou despedida. Essa agora!... por uma coisinha à
toa o demonio da patroa danou-se e mandou-me embora! A mim que
sei quanto "vaio", que intendo do meu "ofiço", que sou boa no
"selviço", que sou fixe no trabaio!...
Vorto de novo pra agença... Vou arranjá patrões
novo. Quais novo nada! Esse povo quase num faz diferença!... É
tudo da mesma raça: resmungão, impretenente... Prá agradá eles a
gente não sabe mais o que faça.
Pruquê eu cá sou cozinheira mas sou de forno e
fogão! Eu cá não sou de feijão, tutus e couve à mineira! Trabaio
em massas, corquetes, faço cunzinhas francesa. Seio fazê
sobremesa de pudingues e meletes!
Pois o diacho da patroa que só dava prá
cuzinha carne, feijão e farinha, queria comidas boa! E inda
ficava danada quando, de tarde, o marido fazia nariz trucido pro
feijão e carne assada!
Eu cum essa gente tô cheia! Com esse povo não me
aprumo! Mas afiná!... não costumo falá má da vida aleia! Tenha ou
não tenha razão, eu quando uma casa deixo, não me ralo, não me
queixo, nem falo má dos patrão.
O patrão deve na venda, no açougue, no
quitandeiro, na fremácia, no padeiro, no turco, no home das
renda! E inda ameaça com prisão os pobre dos cobradô! Mas...bico!
que eu não sou de falá má dos patrão!...
O patrão é um assanhado! O mau costume ele
tinha de andá rondando a cuzinha, a fazê-se de engraçado... Eu
nunca dei atenção mas a patroa é ciumenta, chegou-lhe a mostarda às
ventas, brigou, pintou com o patrão!
E ó, despois mandou-me embora! Já viro que
desaforo! Tenho nada c'os namoro de seu marido, senhora? Eu cá
não sou disso não! Diabo a leve c'os seu ciumes! Eu nunca tive o
costume de dá confiança a patrão!
Tá dereito, vou simbora! Vorto de novo pra
agença! Minha gente, com lecença... Meus senhores e senhora, eu
sou de forno e fogão... Percisando meus selviço, saibam que eu cá
não sou disso de falá má dos patrão!
Bastos
Tigre Página
formatada em 08 set 2007 |