Meus Oito
Anos Oh! que saudades que tenho Autor desconhecido
(Não é o poema original)
da aurora da minha
vida...
Da minha infância querida
que os anos não trazem mais!
Me
sentia rejeitada,
tão feia, desajeitada,
tão frágil, tola,
impotente,
apesar dos bambuais!
Como são tristes os dias
da
criança escravizada...
Todos mandam na coitada!
Ela não manda em
ninguém.
O pai manda, a mãe desmanda,
o irmão mais velho
comanda.
Todos entram na ciranda;
ela sempre diz amém!
Oh!
que saudades que tenho
da aurora da minha vida...
Não gostava da
comida,
mas tinha que comer mais!
Espinafre, beterraba,
era
fígado, era fava,
e tudo que eu não gostava,
em porções
industriais!
Naqueles tempos ditosos,
não podia abrir a
boca.
A professora era louca!!!
Só queria era gritar!
- Senta
direito, menina,
pois senão tem sabatina!
- Que letra mais
horrorosa!
- E pare de conversar!
Oh! dias da minha
infância...
Quando eu ficava doente,
ou sentia dor de dente
e
lá vinha tratamento!
Era um tal de vitamina,
mingau, remédio,
vacina,
inalação e aspirina,
injeção e linimento!
E sem falar
na tortura...
Blusa de gola engomada,
roupa de cava
apertada,
sapatinhos de verniz...
E as ordens? - Anda direito!
-
Diz "bom dia" prás visitas!
- Que menina mais sem-jeito!
- Tira o
dedo do nariz!
- Vá já botar o agasalho!
- Vá já guardar os
brinquedos!
- Menina, não chupe os dedos!
- Não pode brincar na
lama!
- Vá já fazer a lição!
- Criança não tem razão!
- É tarde!
Vá já pra cama!
- Vê se penteia o cabelo
- Menina tão
mostradeira!
- Menina novidadeira!
- Está se rindo demais!
Que
amor, que sonhos, que flores,
naquelas tardes fagueiras,
à sombra
das goiabeiras,
debaixo dos bambuais!
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07 jul 2004
