
SINHAZINHA VEM DA
ROÇA
Minha gente eu vim da roça,
do mato, lá do
fundão...
Deixei a minha paioça,
deixei o meu coração,
a mode de
festejá
meu santo, meu São João!
Virge! Mas
quanta festança
tô vendo aqui no arraiá!
Tem fogueiras e tem dança
e
nóis pode se alegrá!

Tá ansim de moça bunita,
com suas
saias de chita,
nas trança um laço de fita
pro mode os moço
pegá.

E os moços? Que
buniteza!
Tantos moço bunitão,
que inté sinto uma agonia,
ai meu santo,
São João,
aqui no meu coração.



Ói só, tá tudo me
oiando,
e com cada zoião
que inté eu fico vexada
e ponho os óio no
chão.
Vou-me embora,
minha gente.
Vou-me embora pro sertão.
A sodade tá apertando
e eu num
guento mais não...

Mais antes vamo dançá
inté a festa
acabá!
Magdalena Léa Barbosa Correia
"A criança
recita"
Ed. Minerva, Ltda., 4ª ed., 1965, RJ