Que Traça sem Graça!

Uma traça pequenina,
na estante do vovô,
sem a  sua permissão,
uma casa conquistou.

Lá num livro de oração,
fez tremenda confusão
quando, um dia, resolveu
entregar-se à refeição

As letrinhas foi olhando,
decidindo qual comer,
pois sem muito apetite,
não sabia o que escolher...

S e p a r o u um MAGRINHO,
e comeu um PEDACINHO!
Quem sem fome, muito come,
tão-somente é o homem.

Terminada a refeição,
procurou um lugarzinho
que, com muita precisão,
a coubesse direitinho!

Encontrou a Letra 
e achou-a ideal,
com assento e encosto,
pra um cochilo bem  legal!

Toda traça que se preza,
folga  MUITO!  É normal!

Da letrinha, ao levantar-se,
por um triz não foi ao chão,
deu risada ao abaixar-se
e girou feito um pião!

Foi usando a letra
como escorregador,
coloriu-a de vermelho
preferiu-a desta cor!

Es
cor
re
ga,

so
be
e
des
ce....

E o cansaço acontece,
esticando a letra ,
uma rede aparece!

Bem mais tarde, já com sede,
levantou-se dessa rede.
Fez o virar Caneca,
tomou água, a sapeca!

E chegando ao fim do dia,
de barriga tão vazia,
uma letra RECHONCHUDA,
nessa hora ela queria.

Escolheu  a  letra ,
por ser ela tão GORDINHA!
Ficou  muito  satisfeita,
ao sentir-se mais CHEINHA!

E à noite, sonolenta,
com o corpo sem pijama,
procurou, calma e lenta,
nova letra como cama.

Dessa vez, a letra
foi a  letra escolhida,
pra DORMIR TRANQÜILAMENTE,
sem ficar tão ESPREMIDA!

Mas, chegando a madrugada,
sem coberta e com FRIO,
a sentir uns ARREPIOS,
foi correndo arrancar
da letrinha do  titio,
o tracinho que é um fio
pra poder se esquentar!

Desmontando a letra
No seu fio ela se enrola,
e pra dela não soltar
a danada usa cola!

E, assim, a traça intrusa
foi vivendo o dia a dia,
destruindo cada letra
de f-a-t-i-a em f-a-t-i-a,
não ficando preocupada
e nem mesmo envergonhada,
porque só o que queria
era estar bem instalada,
mesmo numa casa alheia,
mesmo em meio à poeira!

E foi tanto o mau uso,
tão folgado, o abuso,
que o livrinho de oração
foi perdendo a função.

O vovô religioso,
quando um dia foi rezar,
viu que as letras do seu livro
começavam a faltar!

E o  livro, esse  coitado,
pela traça maltratado,
pareceu-lhe nessa  hora,
só um queijo... bem...furado...

Meus amigos esta história
acabou, chegou ao fim
e do livro tenho agora,
o que o avô orou por mim.

Ou

O vovô, sem mais demora,
prá acabar com esta história,
atirou seu livro fora,
e hoje ora de memória!

Ou

Terminando este conto,
deixo aqui meu desaponto,
pois, vovô já foi embora
e nem leu minha história!

Ou

O seu livro, alguma traça
talvez queira visitar
e com graça ou sem graça,
sei que o irá logo estragar

Ao leitor:

Escolha um dos finais,
aquele que mais o encantar,
não gostando de nenhum,
faça um outro... Irei gostar.

Maria da Graça Almeida
Página formatada em 19 abr 2005

 

 

 

 

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