ECOS PARISIENSES

























1 - La Belle Époque

A França, a partir de 1814, após a derrota final de Napoleão, encontrou sua estabilidade sendo governada por Louis-Philippe, um monarca constitucional. Em função da estabilidade francesa, a Europa também ingressou numa era de paz, desenvolvendo-se em todos os setores.

O mundo quedava-se fascinado com o avanço tecnológico europeu impulsionando a expansão do capitalismo mundial. Em 1855, um novo processo da fabricação de aço, permitiu sua utilização em escala industrial; a pesquisa sobre o eletro-magnetismo levou à possibilidade de aproveitamento da energia elétrica, substituindo o vapor; outros potenciais energéticos como os derivados do petróleo, também passaram a ser empregados. Gramme produziu o dínamo, Daimler criou o motor de explosão; concebido por Dunlop apareceu o pneumático. Em 1886, Daimler lançou o primeiro automóvel e com ele vieram os primeiros veículos movidos a motor de combustão interna. Em 1893, foi lançado o “Viktoria”, o primeiro quatro-rodas de Benz. Em  1895, a De Dion Bouton apresentou o seu primeiro carro, com motor a gasolina. Em 1913, Henry Ford inaugurou a primeira fábrica em série da indústria automobilística. Ainda no final do Século XIX, Marconi idealizou o telégrafo sem fio, abrangendo, no início, uma distância de apenas dois quilômetros. Em 1889, ocorreu a comunicação através do Canal da Mancha e, em 1901, através do Atlântico.

Todas essas mudanças conduziram a melhorias na produção e consolidação do capitalismo, provocando um crescimento explosivo de riqueza, formando a era conhecida por “Belle Époque”, plena de refinamento artístico e cultural, especialmente na França. A “Belle Époque” começou no final do século XIX (1871) e durou até a eclosão da Primeira Guerra Mundial em 1914. Esse período de pouco mais de trinta anos não é, logicamente, uma delimitação matemática. Na verdade, “Belle Époque” é um estado de espírito, que se manifesta em dado momento na vida de determinado país.

Na “Belle Époque” parisiense, que envolveu o mundo todo, despontavam os filósofos nietzschianos e Freud abordava e discutia a sexualidade. O progresso da ciência médica e química levou a um aumento da expectativa de vida. O desenvolvimento econômico realmente mudou o modo de vida dos parisienses. As pessoas, graças ao gramofone, podiam ouvir música em sua própria casa e andar de bicicletas na rua. Em 28 de dezembro de 1895, o primeiro filme foi mostrado em Paris pelos irmãos Lumière, o que marcou o início do sucesso da cinematografia. O cinema, o rádio, a fotografia, a arte da música e da pintura, faziam surgir um clima propício ao desenvolvimento da arte e da beleza.

O espírito europeu estava elevado e com ele todos os sentidos que instigavam a produção cultural.
Esta época seguiu o sofisticado padrão da civilização francesa, tendo Paris como a capital do mundo. O afrancesamento era sinal de refinamento. A elegância seguia o “dernier-cri” de Paris. Com seus cafés-concertos, balés, operetas, livrarias, teatros, boulevards além da alta costura, a Cidade Luz era o centro produtor e exportador da cultura mundial. A cultura boêmia imortalizada nas páginas do romance de Henri Murger - Scènes de la vie de bohème (1848) - era um referencial de vida para os intelectuais, leitores ávidos de Baudelaire, Rimbaud, Verlaine, Zola, Anatole France e Balzac.
Na “Belle Époque” ocorreram várias mudanças no mundo da arte na Europa, permitindo que os teatros, exposições de telas e cinemas, entrassem no cotidiano das pessoas, propiciando o surgimento da cultura do divertimento.

Essa cultura ganhou status social na burguesia, através dos cabarés, onde era possível encontrar a fusão dos elementos da cultura erudita com os elementos das classes baixas. A indústria do divertimento (parque de diversão e cinema) foi possível devido ao desenvolvimento da eletricidade e a diminuição da jornada de trabalho, permitindo aos operários horas livres para o lazer. Os parques e os cinemas transformaram-se em divertimento de massa, porque o ingresso era barato e esses divertimentos provocavam um desprendimento momentâneo da realidade cotidiana das pessoas. Os parisienses passaram a curtir as saídas noturnas, indo aos espetáculos de music-hall e ao circo. O lazer não se destinava mais apenas a uma elite social.

A partir dessa época, as classes sociais se misturavam nos mesmos locais de entretenimento, como os cafés-concertos de Butte Montmartre, por exemplo. Montmartre era de fato a principal área de lazer em Paris. Os cabarés como o "Folies Bergères", o "Chat Noir" e "Moulin Rouge" estavam no seu pico mais alto durante a "Belle Époque". Mais de uma centena de cinemas foram abertos entre 1900 e 1913. Pintores e músicos deixaram seu nome registrado na “Belle Époque”. A capital francesa era o centro de uma verdadeira efervescência cultural. Muitos artistas e intelectuais viveram em Paris, especialmente em "Montmartre".  Este distrito, entre outros, era freqüentado por Modigliani, Picasso, Renoir, Toulouse-Lautrec.

A música de salão era um popular gênero musical na Europa durante o século 19. Geralmente, um solo de piano no estilo romântico e muitas vezes realizado pelo compositor no evento conhecido como "Salões". Muitos compositores populares escreveram, pelo menos, algumas peças que se enquadram na categoria de música de salão. No entanto, quando se fala de “Belle Époque”, lembra-se imediatamente do cancan, sua música  e suas dançarinas. O que representou realmente essa dança de origem francesa, uma mistura da polca e da quadrilha?

Desde 1850, Céleste Mogador, dançarina vedete do Bal Mabille, em Paris - que mais tarde se juntaria à orquestra do cabaré Moulin Rouge - inventou a quadrilha: oito minutos para cortar a respiração em harmonias perfeitas e com Offenbach como mestre da música incontestável. A nova dança foi considerada um ritmo endiabrado, de contrapeso, flexibilidade, em passos extremos de sensualidade e acrobacias, em que as dançarinas, em seu traje fascinante, faziam perder a cabeça de toda a Paris.
Em Londres, em 1861, Charles Morton, inspirado pela quadrilha francesa, inventou o cancan. O termo refere-se aos ruídos provocados pelos passos marcados da própria dança. Enquanto na Inglaterra a dança chocava os ingleses, que chegavam a condená-la como "indecência", na França, o cancan não parava de crescer, mantendo como quesitos as dançarinas de 1,70 m e a arte de mexer os quadris, levantar as saias e frou-frous, exibindo as jarreteiras, encantando e provocando o desejo no público entusiasmado. O cancan é caracterizado principalmente por passos firmes e saltitantes, chutando alto e fortemente a perna. Normalmente, o figurino desta dança consiste em meias de renda, botas de saltos altos, corpetes, penas na cabeça e saias de babados.

Durante alguns anos, foi declarado ilegal, por ser considerado imoral e indecente, sendo então proibido pela polícia. Depois da liberação da dança, ela tornou-se muito popular, até 1944, quando passou a ser apresentada em revistas e comédias musicais, principalmente na França. Originalmente o cancan era dançado por ambos os sexos; hoje, entretanto, é dançado só por mulheres.

Algumas das grandes damas do cancan francês foram Louise Weber (La Goulue), Jane Avril e Yvette Guilbert. O cancan foi tema inspirador para muitos pintores do impressionismo, como Toulouse-Lautrec, o artista dos cabarés, que pintou quadros célebres das dançarinas de cancan. Prostitutas, cabarés e cervejarias estão inevitavelmente associadas ao nome de Henri de Toulouse-Lautrec. Na ronda dos bailes, bares e cabarés, Toulouse-Lautrec pintou o rosto de Carmem Gaudin, Suzanne Valadon, Hélène Vary. Descoberta por Lautrec em uma apresentação no Moulin Rouge, Jane Avril foi lançada ao estrelato com seus retratos e tornou-se uma de suas musas preferidas. O artista causou impacto ao retratar a sensualidade dos movimentos da dançarina. Além de Jane Avril, imortalizou as vedetes da época como La Goulue, Valentin le Desosse, Aristide Bruant, Yvette Guilbert. Distribuiu seu cinismo triste nos lugares de prazer de Montmartre, como o Café des Colonnes, Le Mirliton e o Moulin de la Galette. Em todo o lugar, Lautrec desnudava um instante verdadeiro, representava o abandono, fixava as misérias. O poder expressivo do seu traço remetia diretamente à interpretação psicológica dos modelos que ele surpreendia e revelava.

A crítica nem sempre foi benevolente com Lautrec. Alguns o acusavam de ser um “ser bizarro e contrafeito”, de “chafurdar na degradação” dos botecos ou, mais freqüentemente, de representar “o vício que deforma os rostos, embrutece as fisionomias e faz subir à face as feiúras da alma”.
Em 1891, Charles Zidler encomendou a Lautrec o primeiro cartaz para o Moulin Rouge. Influenciado pela estampa japonesa, entre um público completamente na sombra e uma silhueta fantasmagórica com saliências ossudas, ele representou La Goulue tocando um instrumento, uma figura característica do naturalismo. A audácia da composição e o pleno domínio da técnica litográfica suscitaram o entusiasmo geral e a avidez dos colecionadores. Lautrec se impôs como o pai do cartaz moderno e, desenvolvendo uma atividade colossal, trabalhou sem parar, pintando, expondo e ilustrando ilustrava programas de teatro e canções. Colaborou com diversas revistas e realizou coletâneas de litografias: uma dedicada a Yvette Guilbert, outra, intitulada Elles sobre a vida das prostitutas. Enfraquecido pela enfermidade que o acompanhou por toda a sua vida, corroído pelo absinto e pela sífilis, caminhou para a decrepitude física e mental.

Alguns cabarés, imortalizados pela paleta de Lautrec tornaram-se internacionalmente famosos pelo cancan, como o Moulin Rouge e o Chat Noir. As músicas mais conhecidas do cancan foram compostas por Jacques Offenbach, exímio violoncelista desde a infância. Considerado pela crítica como o "Liszt do violoncelo", ele não só se dedicou a compor várias obras para esse instrumento, como participou de uma série de concertos nas principais capitais européias. Em 1858, Paris começou a viver o período de frivolidade e decadência do Segundo Império. A cidade, administrada pelo Barão Georges-Eugène Haussmann, passava por um moderno processo de urbanização, caracterizado pela abertura de novas e amplas avenidas, chamadas boulevards. Os espetáculos teatrais começaram a explorar com humor, o espírito, a inteligência e o divertimento, característicos da vida parisiense. Foi nesta época que estreou a primeira opereta de Offenbach, Orfeu no Inferno, onde um de seus temas musicais, o cancan, adquiriu notoriedade internacional. A fama e a popularidade de Offenbach subiram às alturas. Num espaço de dez anos ele escreveu noventa operetas, a maioria de grande sucesso, como La Belle Hélène, La Vie Parisienne, La Grande-duchesse de Gérolstein e La Princesse de Trébizonde. Segundo Carpeaux, Offenbach regeu o cancan que as platéias dançavam, sendo um participante embriagado e espectador cínico da orgia.

Depois de um malogrado tour pelos Estados Unidos e com sua fortuna dilapidada, Offenbach passou a demonstrar um amargo arrependimento por ter desperdiçado seu talento, compondo músicas populares e de gosto duvidoso. Atraído pelas histórias fantásticas do escritor e compositor alemão Ernst Theodor Amadeus Wilhelm Hoffmann, ele se lançou febrilmente na tarefa de compor uma ópera séria que ficasse para a posteridade. Com 60 anos e muito doente, ele trabalhou com afinco para concluir "Os contos de Hoffmann". O criador de operetas, não conseguiu realizar o grande sonho de assistir a montagem de sua primeira grande ópera de sucesso. Morreu em Paris, cinco meses antes da estréia de sua jóia musical. A opera foi considerada o maior evento da temporada, atingindo um recorde de 101 apresentações.

Expressão pura do tempo em que surgiram, as manifestações artísticas floresceram na "belle époque". A arte tomava novas formas com o Impressionismo e a Art Nouveau. O estilo chamado “art nouveau” caracterizou a Belle Époque. Esta corrente artística surgiu no final do séc. XIX, em reação ao emprego abusivo na arte de motivos clássicos ou tradicionais. A “art nouveau” valorizava os ornamentos, as cores vivas e as curvas sinuosas baseadas nas formas elegantes das plantas dos animais e das mulheres. Estilo extravagante misturava arte barroca, rococó e classicismo, usando materiais como vidro e ferro. Essencialmente decorativa, destacava-se nas fachadas dos edifícios sob a forma de vitrais e azulejos; aparecia nos objetos de decoração como móveis, portões e vasos, além de inovação no formato das jóias.

Um dos pintores mais conhecido da “art nouveau” foi Alfonse Mucha. Em literatura, considera-se que um dos principais precursores do estilo “art nouveau” foi  o Revivalismo Celta, especialmente na Inglaterra, Escócia, Irlanda e Escandinávia, voltando-se para as "épocas áureas" de cada país. Apesar dos motivos medievais de cavalaria usados por esta tendência literária, que contribui para a “art nouveau” em outros gêneros artísticos, havia nesta escola um desejo da libertação do antigo e uma certa procura do novo, que se refletiu em movimentos como o Novo Paganismo ou o Novo Hedonismo.

No Brasil, a Belle Époque situa-se entre 1889, data da proclamação da República, e 1922, ano da realização da Semana da Arte Moderna em São Paulo, sendo precedida por um curto prelúdio – a década de 1880 – e prorrogada por uma fase de progressivo esvaziamento, que perdurou até 1925. Seria impossível entender a Belle Époque brasileira, e também em outras partes do mundo, sem vinculá-la à França.

Na segunda metade do Século 19, cinco grandes exposições internacionais realizadas em Paris indicaram, aos pintores e escultores do mundo inteiro, a tendência estética mais em voga. A primeira dessas exposições, a de 1855, foi o decisivo confronto entre os adeptos do neoclássico Dominique Ingres e do romântico Eugène Delacroix, com a vitória final destes últimos – e, portanto, do Romantismo. Gustave Courbet, cujas obras tinham sido recusadas, ergueu, a pouca distância do recinto da mostra, seu próprio “Pavilhão do Realismo”.

Doze anos depois, o recusado de 1855 tornava-se o herói do dia: a Exposição de 1867 representou a vitória de Courbet e do Realismo, além de mostrar à Europa os pré-rafaelitas ingleses. Desta vez, o júri cortara Manet que, inconformado, também expôs em um pavilhão improvisado. A Exposição de 1878 marcou o início da consagração do Impressionismo. A de 1889 representou o triunfo dos simbolistas e, finalmente, a de 1900 assinalou a consagração do “art nouveau”. Gigantescos mostruários da indústria e do comércio franceses, essas exposições visavam angariar novos mercados em países distantes.

A moda era consideravelmente inspirada na “art nouveau” durante a “Belle Époque”, um compromisso entre o luxo abundante e o desejo de maior simplicidade. Para as mulheres, as ondas e os laços estavam ainda na moda, mas suas silhuetas eram mais finas do que antes. As mulheres abastadas usavam coletes e chapéus extravagantes para se distinguir das demais. Os acessórios também foram muito importantes: luvas de couro, botas de tornozelo e guarda-sóis. As mulheres mais ricas usavam perfumes, jóias e maquiagem. Surgiram equipamentos novos destinados à prática de desportos pelas mulheres, como a natação e a bicicleta. A moda masculina foi muito comedida nessa época. Os homens mais ricos usavam ternos escuros, relógios de bolso de ouro, bengalas e luvas de couro. O cabelo curto e o bigode tornaram-se moda.

A Belle Époque foi um período de joie de vivre, lazer e progresso. Passou por alguns problemas: um déficit demográfico significativo; conflitos sociais e de vida, pois, apesar da nova legislação social em vigor, tornou-se difícil a sobrevivência para a classe trabalhadora e da população rural.
Ao romper a I Guerra Mundial, em 1914, a "belle époque" congelou no tempo, tornando-se uma jóia brilhante e saudosa do passado da Humanidade.

La Belle Époque - MAPA

Adeline Lanthenay
Adolphe Bérard
Adolphe Deprince
Adolphe Marechal
Albert Caudieux
Ana Thibaut
André Baugé
Aristide Bruant
Bach (Charles Joseph)
Blon Dhin
Bravo
Bruno Laplante
Charles Montel

Guerin Brabant
Henri Fursy
Henri Weber
Igor Stravinsky
Jacques Offenbach
Jane Ares
Jean Peheu
kam Hill
Karl Ditan
La Goulue
Léonce Bergeret
Louis Boucot
Louis Lynel

Charles Sablon
Charlesky
Charlotte Gaudet
Charlus
Claudius
Constantin le Rieur
Dranem
Dufleuve
Eloi Ouvrart
Emma Liebel
Esther Kiliz
Esther Leskain

Lucien Boyer
Lucille Panis
Madame Rollini
Mlle. Neau
Marie Dubas
Mercadier
Montehus
Mr. Rozio
Paul Dalbret
Pauley
Paul Gesky
Pietro Codini

Eugénie Buffet
Eugéne Mansuelle

Felix Mayol
Fragson
Frehel
Francesco Paolo Tosti
Gabin (Père)
Gabriel Montoya
Gaby Montbreuse
Gaston Dona
Georgel
Georgius

Polaire
Polin
Paulette Darty
Paulus
Pierre d'Assy
Raimu
Resca
Reynaldo Hahn
Rita Georg
Theodore Botrel
Victor Lejal
Yvette Guilbert

Com o cursor do mouse você pode controlar a rapidez e a direção da montagem de fotos acima

 

Fundo musical da página: Viens Poupoule - Felix Mayol

Ecos Parisienses

l 1 l 2 l 3 l 4 l 5 l 6 l 7 l 8 l 9 l 10 l

 

Top30 Brasil - Vote neste site!
Concurso Top30 Brasil

Voltar

 

 

 

 

| Home | Contato | Cantinho Infantil | Cantinho Musical | Imagens da Maux |
l
Recanto da Maux | Desenterrando Versos | História e Genealogia l
l
Um Herói nunca morre l Piquete - Cidade Paisagem l
MAUX HOME PAGE- designed by Maux
2003 Maux Home Page. Todos os direitos reservados. All rights reserved.