ECOS PARISIENSES

























2- Les Années Folles
 
Um estilo frenético de vida provocado pelas incertezas da paz gerada pela Primeira Guerra caracterizou no curto período entre as duas guerras os "années folles”, promovendo radicais alterações na análise da realidade e sua representação artística. Os investidores ganhavam diariamente fortunas na bolsa de valores e, da mesma forma, esbanjavam essa riqueza tão facilmente obtida. A regra adotada era de que a vida deveria ser aproveitada ao máximo em festas e diversões.

O principal intérprete desse período histórico foi o escritor F. Scott Fitzgerald. Em sua obra-prima, "O Grande Gatsby", Fitzgerald sintetizou o esplendor e o vazio dessa época de festas feéricas e lautas bebedeiras, de fortunas erguidas do nada.

A sociedade dos anos 20 freqüentava as óperas, os teatros e os cinemas, assistindo nesses últimos os filmes de Hollywood onde brilhavam astros como Rodolfo Valentino e Douglas Fairbanks. Animada pelo som dos jazz-bands e pelo charme das melindrosas, essa década de prosperidade e liberdade compôs a chamada Era do Jazz. Essa nova música vibrante e sensual, dotada de “swing”, provocou um enorme “frisson” nas platéias da época. Com o caráter lascivo das danças coladas de cabaré, causou grande furor na imprensa conservadora escandalizando a sociedade americana. No entanto, agradou em cheio à juventude endinheirada surgida após a Primeira Guerra Mundial, desde que executada por músicos brancos. Até o início dos anos 20, o jazz enfrentava resistência devido ao racismo, por ser mais executada por músicos negros.

As mulheres copiavam as roupas e os trejeitos das atrizes famosas, como Gloria Swanson e Mary Pickford. Livre dos espartilhos, a mulher começava a ter mais liberdade, mostrava as pernas, o colo e usava maquilagem. A boca era pintada de carmim, parecendo um arco de cupido ou um coração; os olhos bem marcados, as sobrancelhas delineadas a lápis. A pele devia ser branca, para acentuar os tons escuros da maquilagem. Os vestidos tornaram-se mais curtos, leves e elegantes, geralmente em seda, com braços e costas à mostra, facilitando os movimentos frenéticos exigidos pelo “charleston”, uma nova dança que produzia movimentos para os lados a partir dos joelhos.

As meias eram cor da pele, sugerindo pernas nuas. O chapéu deixou de ser um acessório obrigatório, sendo restrito ao uso diurno. Os cabelos passaram a ser usados curtíssimos, a "la garçonne", como eram chamados. A década de 20 foi de Coco Chanel: roupas com cortes retos, capas, blazers, cardigãs, colares compridos, boinas e cabelos curtos. Jean Patou, estilista francês também se destacou na moda, criando coleções inteiras voltadas para uso na prática de desportos.

O estilo dos anos 20 era "art-déco", totalmente voltado para a funcionalidade. Este movimento foi composto por uma mistura de vários estilos do início do século XX, como o  construtivismo, cubismo, modernismo, bauhaus, art nouveau e futurismo. A sua popularidade na Europa continuou fortemente nos Estados Unidos através da década de 30. Meramente decorativa, representava um estilo elegante, funcional e ultra moderno. Seus edifícios, esculturas, jóias, luminárias e móveis eram geometrizados; sem abrir mão do requinte utilizava materiais simples, como o concreto armado, compensado de madeira, utilizando ornamentos de bronze, mármore, prata, marfim e outros materiais nobres. Diferentemente da art nouveau, mais rebuscada, a art déco apresentava mais simplicidade no seu estilo.

Aconteceram lançamentos literários inovadores, como "Ulisses", de James Joyce, mas o maior sucesso literário da época foi mesmo Scott Fitzgerald. Surgiu o surrealismo, movimento artístico e literário inserido no contexto das vanguardas que viriam a definir o modernismo no período entre as duas Grandes Guerras Mundiais. Fortemente influenciado pelas teorias psicanalíticas de Sigmund Freud, mas também pelo marxismo, o surrealismo enfatizou o papel do inconsciente na atividade criativa. Um dos seus objetivos era produzir uma arte que estaria sendo destruída pelo racionalismo. O poeta e crítico André Breton foi o principal líder e mentor deste movimento.

Entre os artistas ligados ao grupo destacaram-se os escritores franceses, Antonin Artaud, Paul Éluard, Louis Aragon, Jacques Prévert e Benjamin Péret. Entre os escultores encontram-se os italianos Alberto Giacometti, o pintor italiano Vito Campanella e os pintores espanhóis Salvador Dali, Juan Miró e Pablo Picasso, o pintor belga René Magritte, o pintor alemão Max Ernst e o cineasta espanhol Luis Buñuel. Em 1925, pela primeira vez, os surrealistas mostraram seus trabalhos em Paris, com destaque para Joan Miró e Pablo Picasso.

No Brasil, o surrealismo foi uma das muitas influências assimiladas pelo modernismo. Em 1922, a Semana de Arte Moderna, realizada por intelectuais, como Mário de Andrade e Tarsila do Amaral, levou ao Teatro Municipal de São Paulo artistas plásticos, arquitetos, escritores, compositores e intérpretes para mostrar seus trabalhos, recebidos, ao mesmo tempo, por palmas e vaias. A Semana de Arte Moderna foi o grande evento cultural do período, que lançou as bases para a busca de uma forma de expressão tipicamente brasileira, que começou a surgir nos anos 30.

No fim do século XIX, Nietzche, proclamando a morte de Deus, e Freud anunciando o fim da inocência, antecederam o que surgiria após a I Guerra. A revolução cinematográfica, o cinismo nazi-fascista e stalinista e a crise irreversível das estruturas familiares e afetivas nas quais se assentavam os nossos desenvolvimentos emocionais básicos contribuíram para o surgimento da enorme crise dos costumes dos anos 20. Os "années folles”, em Paris e Berlim, colocaram em voga a androgenia e os bissexuais.

Os intelectuais fizeram de Paris sua nova pátria. A capital francesa mais uma vez era uma vitrine para o mundo e tudo que nela acontecia espalhava-se como símbolo do que devia ser. O câmbio era favorável ao dólar, e Paris o cenário ideal para a alegria. Os negros americanos do Le Jazz Hot chegaram acompanhando Josephine Baker, uma pantera desfilando outra pantera na coleira. Estavam lá Jean Cocteau, Coco Chanel, T.S.Elliot, Pablo Picasso, Gertrude Stein, Isadora Ducan, Stravinski, Nadia Boulanger, Ernest Hemingway, Gurdjieff, Scott Fitzgerald e Serge Diaghilev, entre outros, mas o paraíso era dos americanos. 

No entanto, Paris possuía também seus próprios artistas, não aplaudindo apenas artistas importados dos Estados Unidos. Disputando brilhantemente espaço com Josephine Baker, Mistinguett - uma cantora e atriz francesa - tornou-se a representante parisiense dos anos 20. Muito antes da moda lançada por Coco Chanel, Mistinguett já usava cabelos curtos e cruzava elegantemente as pernas. Fumava muito, hábito anteriormente restrito aos homens. Símbolo de ousadia e de vanguarda, trabalhou nos primeiros filmes da indústria cinematográfica francesa, quando os filmes ainda eram mudos. No cinema falado, trabalhou em "Rigolboche", em 1936 e em "Carrocelo del varietà", de 1955, um ano antes de morrer. Não gostava de atuar em filmes. Afirmava que não tinha a menor graça trabalhar olhando para uma máquina de olho de vidro. Mistinguett necessitava do contato direto com o público, e desse contato ela sabia tirar o maior partido. Mesmo com voz não muito potente e dançarina de poucos recursos e desenvoltura, Mistinguett hipnotizava as platéias.

Manteve tórridos envolvimentos amorosos, lendários em seu tempo, como o caso com um marajá indiano e o filho da rainha Vitória, da Inglaterra. Com o jovem Maurice Chevalier, treze anos mais novo que ela, permaneceu por longo tempo. Chevalier antes de se envolver com Mistinguett tivera um breve caso com Fréhel, cantora muito famosa e querida pelo público francês. Suas canções destacavam  uma Paris popular e miserável, canções quase autobiográficas, pois ela tivera uma infância pobre, morando com uma avó alcoólatra, vivendo a realidade das ruas, da prostituição e transmitindo essa dor em suas canções. Maurice Chevalier, desaprovando a dependência de Fréhel ao álcool e a cocaína, deixou-a por Mistinguett. O término do relacionamento teve um impacto muito grande em Fréhel. A cantora tentou suicídio e não aceitando ter sido substituída por Mistinguett, ameaçou o casal de morte. Por muito tempo levava consigo uma faca para se vingar, caso os encontrasse juntos.

Era das inovações tecnológicas, da eletricidade, da modernização das fábricas, do rádio e do início do cinema falado, criando principalmente nos Estados Unidos, um clima de prosperidade sem precedentes, um dos pilares do chamado "american way of life", toda a euforia dos "anos 20" acabou no dia 29 de outubro de 1929. Nessa data, a Bolsa de Valores de Nova York registrou a maior baixa de sua história. De um dia para o outro, os investidores perderam tudo, afetando toda a economia dos Estados Unidos e, conseqüentemente, do resto do mundo.

A festa durara até o surgimento da crise e o desaparecimento do dinheiro. Aí todos foram embora... Os anos que se seguiram ficaram conhecidos como a época da "Grande Depressão", marcada por falências, desemprego e desespero.

Les Années Folles - MAPA

André Perchicot
André Urban
Albert Prejean
Antonin Berval
Armand Gauthier

Jean Murrat
Jeanne Aubert
Jenny Golder
La Bolduc

Marguerite Malloire

Betove
Damia
Darcelys
Fernandel
Fred Gouin

Marsilio Codini
Maurice Chevalier
Michel Simon
Mistinguett/Mistinguett e Jean Gabin
Mitchell's Jazz King

Fred Mélé
Florelle
Fortuge
Henri Alibert
Jean Gabin

Ninon Vallin
Pizela
Robert Jysor
Saint Granier
Yvonne George
Yvonne Printemps

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Fleur de Paris - Maurice Chevalier

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