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MÁRIO PEDERNEIRAS |
Eterna
Intérmino
que fosse o caminho da vida,
e eterno o caminhar do nosso passo incerto,
fosse na estrada larga ou fosse no deserto,
sem lar, sem pão, sem paz, sem sol e sem guarida...
Intérmina que fosse a estrada percorrida,
sob o céu todo azul ou de nuvens coberto,
e o repouso fatal nunca estivesse perto,
e a distância final nunca fosse vencida...
E vencendo ao caminho as urzes e os escolhos,
as lutas, o pavor, o cansaço do dia,
a fraqueza do passo, a tristeza dos olhos...
Meu pobre coração nessa eterna ansiedade,
nesse eterno sofrer, eterno arrastaria
esta triste, esta longa, esta eterna Saudade...
Outono
Outono!
Qualquer coisa lilás,
Schumann em violino,
Ângelus tangido em lentidões de sino...
Preguiçoso torpor de um fim de sono.
Espelho de água quieta dos canais!
Cá
dentro, a idade,
restos de sonho e de mocidade;
trechos dispersos
de velhas ambições falhas na vida,
parcelas de antigas ilusões
que ainda, a custo, concentro
e invoco até agora!
Lá
fora, a descida.
O crespúsculo inócuo destes dias,
a tristeza das folhas amarelas,
e a cantar sobre estas ruínas frias,
a monótona toada de meus versos.
Desce,
Poeta!
A descida é suave...
Não te demanda rigidez de músculos
e nem exige que teu passo apresses...
A natureza é quieta,
da ingênua quietação de um sonho de ave,
e há paina nos crepúsculos...
No
outono a luz é um eterno poente,
que mais à calma que ao rumor se ajeita;
Brilha, tão de manso e calma,
que até parece unicamente feita
para o estado d'Alma
de um convalescente.
Suave Caminho
Assim,
ambos assim, no mesmo passo,
iremos percorrendo a mesma estrada.
Tu no meu braço trêmulo, amparada,
e eu, amparado no teu lindo braço.
Ligados
nesse arrimo, embora escasso,
venceremos as urzes da jornada...
Tu te sentirás menos cansada,
e eu, menos sentirei o meu cansaço.
E
assim, ligados pelos bens supremos
que para mim o teu carinho trouxe,
placidamente pela vida iremos.
Calcando
mágoas, afastando espinhos,
como se a escarpa desta vida fosse
o mais suave de todos os caminhos.