A CASA ONDE EU MORO

A casa onde eu moro
já foi um terreiro
de índio guerreiro
que o branco acabou.

Foi morro de areia,
uma antiga aldeia
que o vento levou...
Começo e confins
de uma vila sem vez,
no tempo esquecido
do forte holandês.

Já foi fim de ponte,
foi leito de rio,
outeiro de praia,
caminho de pio.
Já foi um palácio
de rico e de bispo.

Foi beco de vício
descendo pro mar...
Na casa onde eu moro
meu avô construiu
meu mundo de sonhos,
até que partiu...

Foi leito de morte,
foi berço de vida.
De vida nascente,
de morte iminente,
de busca e de fuga.
Prá onde ela vai?

Vanius Meton
Poema de setembro de 1987
Página formatada em 14 fev 2003

 

 

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