O Menino

Olha o menino... Vem correndo,
vem ciclando tão contente!
Hoje faz anos.
O presente tão sonhado
seu pai lhe concedeu.

Vem como um raio. Quebra o vento,
engana o tempo tão veloz.
Nem sabe que do tempo
é ele o instrumento
com o seu pedalar...

Pega impulso, salta a rampa,
vai tão alto que estremece...
Derrapa no jardim da mãe
que põe-se a gritar...
Ele nem liga e dispara para a rua .

E não para! Não vai mais parar...
Engole a reta e vai longe, longe...
E para trás não quer olhar!
Desce a ladeira. Espreguiça,
estica as pernas e toma ar...

Seu querido avô acena
e ele volta a pedalar...
E tudo vai ficando,
vai minguando,
vai sumindo lá, tão longe...

Ele correndo, sorridente,
tão distante na memória está.
Crescido, então se cansa.
Ele para e se vira e nada enxergará...
As pessoas, o seu bairro, a cidade,
não podem mais voltar...

Carlos Meton
Página formatada em 11 fev 2003


 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

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