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Tristezas do
Jeca
Nestes verso tão
singelo minha bela, meu amô, prá mecê quero contá o meu sofrê, a
minha dô...
Eu sou como o sabiá que
quando canta, é só tristeza, desde o gaio onde ele está...
Nesta viola eu canto e gemo
de verdade. Cada toada
representa uma sôdade.
Eu nasci naquela
serra, num ranchinho à bêra chão, tudo cheio de buraco donde a
lua faiz crarão...
E quando chega a
madrugada, lá no mato a passarada principia o
baruião...
Nesta viola eu canto e gemo
de verdade. Cada toada
representa uma sôdade.
Lá no mato tudo é
triste, desde o jeito de falá. Quando riscam na viola dá vontade
de chorá...
Não tem um que cante
alegre, tudo vive padeceno, cantando prá se
aliviá...
Nesta viola eu canto e gemo
de verdade. Cada toada
representa uma sôdade.
Vou pará co'a minha
viola já nõa posso mais cantá, pois o Jeca quando canta, tem
vontade de chorá...
E o choro que vai
caindo, devagá vai se sumindo, como as água vão pro
má...
Angelino
Oliveira Gravação de Tonico e Tinoco
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