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No mesmo abrigo do galho onde a abelha tira o mel, a
víbora, em seu trabalho fabrica peçonha e fel.
É no
abrigo dos teus braços que eu encontro, compassiva, na febre dos
meus cansaços, uma fonte de água-viva.
Enche os teus dias no
mundo na construção do dever... Há sempre um tormento fundo no
instante do entardecer...
Em nossa rota perdida no mundo que só
reclama, recordemos que, na vida, mil flores nascem na
lama.
De partilhar com irmãos tua alma simples e boa, semeias
entre cristãos a fé que salva e Perdoa.
Como a hera sobre o
muro, teimosa a agarrar-se, então, é a saudade, nó escuro, atado
em meu coração.
Esse amor ao nosso lado é a canção que a vida
tece, é o lindo empíreo estrelado, é a leira farta da
messe.
Distante do coração há perenes primaveras refulgentes
na amplidão, pelos édens sem quimeras.
Se o próximo faz-se
mudo, não guardes mágoa ou receio, pois o pouco é quase
tudo quando o amor está no meio.
Ao acordar, de
manhã, sinto-me leve, feliz, pois lembro que sou irmã de São
Francisco de Assis.
Como é bom sentir o vento, ver árvores
generosas, ver astros no firmamento, ouvir canções, ver as
rosas!
Meu amigo, pára e pensa nestes dons que Deus te
empresta: a visão, o sonho, a crença, toda a natureza em
festa!
Lindos pomos tentadores da macieira que domina; antes
de ser seiva e cores foi semente pequenina!
Há tanta gente
vibrando para que a vida me vença que, às vezes, fico
pensando: Ah! se não fosse esta crença...
Está você, noite e
dia, dia e noite em meu sonhar; sonhar que é a minha alegria e
também é o meu penar.
Os crimes que
mais me aterram não são os de morte, não, mas aqueles que
soterram toda a paz do coração.
Quando ajudarmos alguém, não
devemos vacilar, pois todos sabem que o bem protege sem
perguntar.
Terá sempre triste sina quem cultiva a
displicência. Considero a disciplina toda a alma da
eficiência.
Desprezo sem condição pelo cultivo da
terra, constitui malversação dos bens que Deus nos
descerra.
O respeito à Criação constitui simples dever; os
abates, queimas, são atraso moral do ser.
A conversa que
incrimina, palavras de pouca monta, são verbos sem
disciplina que geram males sem conta.
Recebe de alma
serena todo golpe que te doa; opõe, à voz que condena, a tua paz
serena e boa!
Agradeço, a alma em prece: o lar, a saúde, o
pão, a Inspiração que me aquece, cantando de gratidão!
Acende
a luz da bondade nas lutas do dia-a-dia; ninguém sabe se em
verdade mendigarás simpatia.
Mesmo a rosa mais bonita, de
todas que a gente vê, mesmo a bondade infinita, nada se iguala a
você!
As trovas, como são belas como prendas de ouro e
luz! E, por serem tão singelas, lembram o Verbo de JESUS!
Meu
amor, quantas riquezas eu guardo em meu coração! Mas entre estas mil
grandezas você é o melhor quinhão!
Enquanto eu tiver
certeza de que me amas com emoção, viverei sem ter
tristeza, cantando de gratidão!
Cheio de
aurora, ofuscante, o meu coração o vê. Não sei quem é mais
brilhante, se é o Sol ou se é você.
Se você soubesse,
amor, que eu vivo do seu sorriso, veria que em cada flor há um
pouco de Paraíso.
No Ideal que é o nosso escudo buscamos, na
vida afora, uma síntese de tudo na perfeição que em Deus
mora.
Nós semeamos e colhemos na vida - solo de luz; ajudando
saberemos que a bondade reproduz.
Sei que o amor não é
paixão nem o nomeio por tal, ele é celeste atração, prescinde do
amor carnal.
O Cristão não pode odiar a quem lhe faz mal
profundo, o seu lema é: "Crer e Amar", servindo a Cristo no
mundo.
Dos mil ódios inquietantes que a vida me trouxe, um
dia, eu extraio, desafiantes, esperanças e alegrias.
Serenidade não
é jardim de dias dourados; é suprimento de fé para os dias
perturbados.
A natureza é santuário no qual se torna
visível de Deus o itinerário mostrando sapiência
incrível.
Nenhum mal me faz ferida no sofrer de cada dia. Já
recebi, desta vida, minha carta de alforria.
"Vida
Afora" Mariinha
Mota |