Projeto Rondon: Integrar para não Entregar

 

 

PROJETO RONDON - COMO ACONTECEU...

O Projeto Rondon foi uma iniciativa do governo brasileiro, coordenada pelo Ministério da Defesa, em colaboração com a Secretaria de Educação Superior do Ministério da Educação – MEC.
A idéia de levar ao conhecimento da juventude universitária a realidade deste país continental, multicultural e multirracial e, especialmente, proporcionar-lhe a oportunidade de contribuir com o desenvolvimento social e econômico do País surgiu em 1966. Aconteceu durante a realização de um trabalho de sociologia intitulado "O Militar e a Sociedade Brasileira", na Escola de Comando e Estado Maior do Exército.


A aeronave Douglas-DC-3 utilizada pelo Projeto Rondon entre 1974 e 1980.

A primeira operação do Projeto Rondon, denominada "Operação Zero", teve início em 11 de julho de 1967, quando trinta estudantes e dois professores seguiram do Rio de Janeiro para Rondônia, a bordo de uma aeronave C-47, cedida pelo antigo Ministério do Interior. A expedição foi organizada pelo professor Wilson Choeri, responsável pela preparação da equipe de universitários voluntários da então Universidade do Estado da Guanabara. A operação foi dirigida no campo pelo professor Omir Fontoura, daquela instituição universitária.


A aceitação...

Instalaram-se ao longo da estrada de rodagem em construção para substituir a Estrada de Ferro Madeira-Mamoré, no então Território Federal de Rondônia. A equipe permaneceu na área por 28 dias, realizando trabalhos de levantamento, pesquisa e assistência médica. No retorno, manchetes nos jornais e entrevistas dos participantes que voltaram com o slogan "INTEGRAR PARA NÃO ENTREGAR". Os universitários sugeriram, também, um nome para a iniciativa: "PROJETO RONDON", inspirados no trabalho do grande militar e humanista, Marechal Cândido Mariano da Silva Rondon.

 
Projeto Rondon 1969


Projeto Rondon 1978

No ano seguinte, o projeto contou com a participação de 648 estudantes e foi expandido para outras áreas. Em 1970 o Projeto Rondon foi organizado como órgão autônomo da administração direta e, em 1975, transformado em Fundação Projeto Rondon. As atividades, inicialmente desenvolvidas apenas durante as férias escolares, evoluíram com a criação do campus avançado, dos centros de atuação permanentes e de operações regionais e especiais. Por pressão dos próprios universitários, as operações foram diversificadas e passaram a ser realizadas em todos os Estados. A cada ano, na operação nacional – realizada nas férias de janeiro e fevereiro – participavam uma média de seis mil universitários, espalhados por todo o País, sempre atuando em uma região diferente daquela de origem. As operações regionais tinham lugar nas unidades da federação em que se situavam as universidades e fizeram com que os estudantes e as próprias instituições de ensino superior descobrissem as áreas pobres de seus Estados. Os campus avançados eram instalados em uma região cultural bem diferente daquela da sede da universidade. Sempre se evitava a instalação próxima de dois campus originários da mesma área cultural. Visava-se uma integração de nossas diversidades culturais, num processo crescente de amálgama da nacionalidade.

O projeto sofreu muitas críticas; dentre as principais a alegação de que seu objetivo fosse a alienação do movimento estudantil, colocando-o a favor do regime. O slogan sugerido pelos próprios integrantes "INTEGRAR PARA NÃO ENTREGAR", expressava o "ideário desenvolvimentista articulado à doutrina de segurança nacional", influenciado por sentimentos nacionalistas em reação as propostas de internacionalização da Amazônia que surgiram à época.

Por doze anos (de 1967 a 1989, quando foi extinto) o projeto envolveu mais de 350 mil estudantes e professores de todas as regiões do País. Sua extinção oficial em 1989, pode ser atribuída à sua forte vinculação às políticas dos militares do período de ditadura recém-encerrado.

Os ex-integrantes do projeto criaram a Associação Nacional dos Rondonistas, organização não governamental mais tarde transformada em organização da sociedade civil de interesse público (Oscip) e em funcionamento até hoje.


Atuais rondonistas exibem unhas pintadas com o símbolo do Projeto Rondon
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RELANÇAMENTO DO PROJETO RONDON

O projeto foi relançado em 19 de janeiro de 2005, mais de quinze anos depois de sua extinção, em Tabatinga (AM), após o governo federal acatar proposição da União Nacional dos Estudantes (UNE). Cerca de 200 rondonistas participaram no estado do Amazonas da operação que contou com a presença do presidente Luiz Inácio Lula da Silva na abertura.


O slogan do projeto também foi modificado para "LIÇÃO DE VIDA E DE CIDADANIA".


Marechal Rondon

MARECHAL RONDON

Cândido Mariano da Silva Rondon nasceu em Mimoso, Mato Grosso, no dia 5 de maio de 1865. Filho de Cândido Mariano da Silva e Claudina de Freitas Evangelista da Silva, perdeu os pais muito cedo. De origem indígena por parte de seus bisavós maternos (Bororó e Terena) e bisavó paterna (Guará), Rondon foi criado em Cuiabá pelo tio, de quem herdou e incorporou o sobrenome "Rondon".

Tornou-se professor primário aos 16 anos mas optou pela carreira militar servindo como soldado no 2º Regimento de Artilharia a Cavalo, ingressando dois anos depois na Escola Militar da Praia Vermelha. Em 1886 entrou para a Escola Superior de Guerra onde assumiu um papel ativo no movimento pela Proclamação da República. Fez o curso do Estado Maior de 1ª Classe e foi promovido a alferes (atual "aspirante-a-oficial"). Graduou-se como bacharel em Matemática e em Ciências Físicas e Naturais e participou dos movimentos abolicionista e republicano por volta de 1890. Em 1889, Rondon participou da construção das Linhas Telegráficas de Cuiabá, assumindo a chefia do distrito telegráfico de Mato Grosso, e foi nomeado professor de Astronomia e Mecânica da Escola Militar, cargo do qual se afastou em 1892. Entre 1900 e 1906 dirigiu a construção de mais uma linha telegráfica, entre Cuiabá e Corumbá, alcançando as fronteiras do Paraguai e da Bolívia.

Começou a construição da linha telegráfica de Cuiabá a Santo Antonio do Madeira, em 1907, sua obra mais importante. A comissão do Marechal foi a primeira a alcançar a região amazônica. Nesta mesma época estava sendo feita a ferrovia Madeira-Mamoré, que junto com a telegráfica de Rondon ajudaram a ocupar a região do atual estado de Rondônia. Rondon fez levantamentos cartográficos, topográficos, zoológicos, botânicos, etnográficos e lingüísticos da região percorrida nos trabalhos de construção das linhas telegráficas. Por sua contribuição ao conhecimento científico, recebeu várias homenagens e muitas condecorações de instituições científicas do Brasil e do exterior.
Foi convidado pelo governo brasileiro para ser o primeiro diretor do Serviço de Proteção aos Índios e Localização dos Trabalhadores Nacionais (SPI), criado em 1910. Incansável defensor dos povos indígenas do Brasil ficou famosa a sua frase: "Morrer, se preciso for; matar, nunca."


Rondon entre os índios brasileiros

Entre 1919 e 1925, foi diretor de Engenharia do Exército e, após sucessivas promoções, chegou a general-de-divisão. Em 1930, solicitou sua passagem para a reserva do Exército. Nos anos 40 virou presidente do Conselho Nacional de Proteção aos Índios (CNPI), cargo em que permaneceu por vários anos. Em 1955, o Congresso Nacional conferiu-lhe a patente de marechal. No ano seguinte, o então estado de Guaporé, passou a ser chamado de Rondônia em homenagem ao seu desbravador. Faleceu no Rio de Janeiro, em 19 de janeiro de 1958, com quase 93 anos.


Marechal Rondon

CREDO DE RONDON

Rondon ingressou na Igreja Positivista ao fim de 1898, como major e como ardoroso membro na teoria e na prática positivista. Sob influência do positivismo, ele fez seu credo:

"Eu Creio:

Que o homem e o mundo são governados por leis naturais.
Que a Ciência integrou o homem ao Universo, alargando a unidade constituída pela mulher, criando, assim, modesta e sublime: simpatia para com todos os seres de quem, como poverello, se sente irmão.
Que a Ciência, estabelecendo a inateidade (sentimento nato) do amor, como a do egoísmo, deu ao homem a posse de si mesmo. E os meios de se transformar e de se aperfeiçoar.
Que a Ciência, a Arte e a Indústria hão de transformar a Terra em Paraíso, para todos os homens, sem distinção de raças, crenças,: nações – banido os espectros da guerra, da miséria, da moléstia.
Que ao lado das forças egoístas – a serem reduzidas a meios de conservar o indivíduo e a espécie – existem no coração do homem: tesouros de amor que a vida em sociedade sublimará cada vez mais.
Nas leis da Sociologia, fundada por Augusto Comte, e por que a missão dos intelectuais é, sobretudo, o preparo das massas humanas: desfavorecidas, para que se elevem, para que se possam incorporar à Sociedade.
Que, sendo, incompatíveis às vezes os interesses da Ordem com os do Progresso, cumpre tudo ser resolvido à luz do Amor.
Que a ordem material deve ser mantida, sobretudo, por causa das mulheres, a melhor parte de todas as pátrias e das crianças, as pátrias do futuro.
Que no estado de ansiedade atual, a solução é deixando o pensamento livre como a respiração, promover a Liga Religiosa,: convergindo todos para o Amor, o Bem Comum, postas de lado as divergências que ficarão em cada um como questões de foro íntimo, sem perturbar a esplêndida unidade – que é a verdadeira felicidade. "


Oscar Cox em cerimonia de casamento na Igreja de Nossa Senhora da Glória do Outeiro, no Rio de Janeiro, em 1976.

MEU DEPOIMENTO

Em 1969, no início do segundo ano da Faculdade de Medicina, atuei como academica interna de Obstetricia na 33ª Enfermaria, serviço do professor Jorge de Resende, na Santa Casa de Misericórdia do Rio de Janeiro. Dentre outros colegas, convivi com Oscar Cox, então no 5º ano de Medicina, participante do Projeto Rondon desde o seu primeiro momento.

Oscar Rodolpho Bittencourt Cox era apologista da participação dos estudantes universitários, principalmente dos academicos de Medicina, nesse projeto. Conseguiu me encantar com seus relatos detalhados, despertando em mim o desejo de também ser rondonista. Infelizmente, o encanto não foi compartilhado por meu pai, que considerou-me muito jovem para isso, não permitindo a concretização do meu desejo.

O que eu sabia de Oscar, até deixar o Rio de Janeiro, é que ele se especializara em Obstetricia e Ginecologia como eu. A vida passou e perdemos nossos contatos.

Buscando na Internet dados sobre ele para compor essa página, encontrei-o agora numa jornada de apoio e orientação aos dependentes quimicos, palestrante e escritor sobre o tema, diretor técnico cientifico da Associação Brasileira de Alcoolismo e outras Drogas (ABEAD).

A mim pareceu que o Projeto Rondon de Oscar Cox continua...

 

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