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Acácia querida! Encorpou-se junto com a minha adolescência. Crescemos juntos. Aprendi muito debaixo da sua sombra, deslumbrando o vale auriazulado e ouvindo as aves solfejar. Os estudos assimilava-os com eficaz facilidade, talvez, pela quietude e beleza do lugar. Meus desabafos e lágrimas, ela os absorvia em cada galho e folha, ou quem sabe, já até os tenha exalado em alguma fotossíntese, e minhas súplicas estejam vagando por aí. Não sei. Sei que a frondosa acácia está arraigada em mim. Ao partir para a cidade grande, não tive coragem de ir até ela. Da janela, olhei-a, admirei-a. Ela estava mais verde que de costume. Sua presença enchia a colina de paz. O vento brando tocava suas folhas e meu coração disparava angustiado pela separação. O tempo passou... De
vez em quando trocava correspondência com familiares. Estava no exterior
quando do passamento de mamãe. Fora um choque lastimável. Quando pude
visitar papai, foi pelo Natal. Chequei em casa já noite. A mesa da ceia
estava posta. A tristeza era marcante em cada rosto. A falta de mamãe era
inconsolável. Porém, a vida é assim mesmo: uns partem e outros ficam.
Dirigi-me ansioso para a janela da cozinha. Ao abrí-la, meu olhar correu
apresado para o topo da colina. Fiquei pasmo, hirto. No lugar dela, uma
cruz luminosa resplandecia. Não quis crer. Era uma
árvore radiante, cheia de casulos e ninhos - definhou-se estranhamente. No
dia seguinte, o sol não tinha repontado no horizonte quando fui à colina.
Desta vez, não subi como dantes, cantando e saltitando. Chequei calado ao
pé da cruz e toquei-a. Sorvi o perfume dela que ainda adensava o ar. A
saudade veio à luz. Tenho-a viva na memória. Pois foi sob suas folhas,
algumas acompanhando meus primeiros bosquejos, que me inspirei em ser
artista plástico. Vou retratá-la com amor e estesia, para depois expor a
obra nas conceituadas galerias de arte das grandes capitais. Não haverá
dinheiro no mundo para comprar o quadro: "Acácia
querida". |
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