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Beija-flores de
Maio Foi agora, em meados de maio, outono chuvoso e frio. O ninho, tamanho da metade de uma bola de tênis, feito de gramíneas secas, por fora criou-se uma alga verde e azul dando-lhe aspecto formoso, próprio dos beija-flores. A mãe beija-flor passou quatorze dias incubando os ovos, até que dois pirralhinhos eclodissem para o mundo. Protegidos das intempéries por duas folhas, os filhotes passavam os dias observando e esperando a alimentação que seus pais regurgitavam nos papos. Do alvorecer ao por-do-sol, o chapéu-de-sol, de braços abertos sobre a rua acompanhava o vaivém das pequeninas aves. Os filhotes, asseiados, desde o nascimento jamais defecaram dentro do ninho, virando a cloaca para o alto, e, como uma ampola sob pressão, soltavam o jato que jorrava longe. Tinha dia que, de tardinha, o dourado-escarlate do horizonte misturava-se com as esparsas nuvens que ardiam no céu, e os pais beija-flores davam vôos curtos, adejavam, beijavam as bagas arredondadas dos frutos, num balé feliz. Quando os filhotes bateram asas, num vôo estreante, majestoso e corajoso, a mãe saiu chilreando atrás. Medrosa, os fez pousar outra vez no chapéu-de-sol. Alimentou-os e zumbiu suas velozes asas pela vida a fora; eles a perseguiram. Assim, o meio ambiente ganhou dois novos moradores, os beija-flores de maio, que se encontram no ecossistema sugando o néctar das plantas e trazendo novas vidas com a polinização. O chapéu-de-sol ficou sozinho, passou a cumprir o ciclo das estações, desfolhando-se com a chegada do inverno. Com a arribada das avezinhas, todos nós da Associação ficamos entristecidos, porém a vida é assim mesmo: os filhos nascem para o mundo. Edival da Silva Castro |
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