BEM-QUERER

Hoje, que dia toleirão! Notei logo que abri a janela e olhei para o céu. Manhã melancólica, nuvens carrancudas e cinzentas corriam lá em cima, talvez procurando um lugar para estacionar e poder derramar suas lágrimas.

Também notei que as flores do jardim, quando me viram, não sorriram e nem me deram bom dia, como de praxe, nem os malmequeres quiseram saber de mim, estavam apáticos e cabisbaixos.

Voltei então os olhos para o interior do meu quarto: cama desarrumada, roupas soltas à revelia, tudo estava inoportuno, desabitado e monótono. Não tive coragem de reagir, atirei-me sobre a cama, coloquei as mãos no rosto e chorei...

E pensei: Ontem ela esteve aqui, deitada e estirada sobre a cama, dentro de sua lingerie, sei que esta ausência vai aniquilar-me, devo chegar às vias de fato comigo mesmo, por meu ciúme bobo, louco e embriagador, que me levou a esta situação desesperadora. Não vai dar para agüentar esta solidão, quero abraçá-la, beijá-la e torná-la outra vez minha. É a vontade do meu coração.

uem sabe: Amanhã será outro dia, quando eu voltar a abrir a janela e olhar para o céu, ele vai estar límpido, sorrindo e o sol vai estar prateando a natureza; quando eu olhar para o meu jardim, as flores irão cumprimentar-me, os malmequeres irão festejar minha presença e quando eu voltar os olhos para o interior do meu quarto, a cama vai estar desarrumada, as roupas estarão soltas à revelia, tudo vai ser oportuno, habitado e alegre; aí, com sua presença, voltarei a reagir e ter coragem de atirar-me em seus braços e envolvê-la com meus carinhos, você vai estar dentro de sua lingerie, meu bem-querer.

Edival da Silva Castro
Crônica enviada gentilmente pelo autor

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