Carrinhos e Carretos

O Armazém Reembolsável Geral, também conhecido como Cantina, atendia com prioridade os funcionários da Fábrica Presidente Vargas, assemelhados e militares, nas suas compras mensais. O esquema era simples: o freguês trazia a lista de suas compras e entregava-a no escritório do armazém; recebia de volta um cartão numerado com nome e matrícula. Sua lista de compras transforma-se em pedido que chegava às mãos dos balconistas.

Como era muito grande o movimento, principalmente no começo do mês, no dia subseqüente, o freguês, portando o cartão, se identificava, quando então as compras estavam despachadas e prontas para ser entregues. Os meninos, com seus carrinhos de mão estacionados defronte à Cantina, esperavam a liberação da mercardoria para ser conduzida às residências.

Via-se nos semblantes de cada um deles a alegria de conquistar o freguês, o que significava uns troquinhos a mais. Os carrinhos tinham formato de caixote retangular, com varais proporcionais aos tamanhos dos mesmos e, de preferência, com rodas de velocípede.

O carreto era cobrado conforme a distância percorrida: Vila Gen. Osório, Vila Duque de Caxias, Vila Barão, Bairro do Bambuzinho, Vila Célia, Av. Gen. Gomes Carneiro, Caixa d’Água etc...

Algumas carroças disputavam as entregas. Serviço nunca faltou para os mais afoitos, pois do primeiro ao décimo dia do mês eram liberadas de oitocentas a mil compras. Eu somente lamentava ter que trabalhar somente num período, porque no outro encontrava-me na escola, porém valia a pena, dava para defender os picolés de coco queimado do Brasilino e os ingressos para as matinês aos domingos, no Cine Estrela.

Antes de abrir a Subsistência na cidade de Lorena, as compras feitas pelos funcionários que lá moravam iam de trem, óbvio, acompanhadas pelos respectivos donos. Quando o armazém se encontrava no auge de suas atividades, o vaivém das pessoas carregando compras, carrinhos saindo, chegando e estacionando, era simplesmente espetacular. Os casos omissos o saudoso Zé de Castro resolvia.

Edival da Silva Castro
Cronica publicada no Jornal "O Estafeta - 2010

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