CORPORAÇÃO ANTIGA

A nossa Corporação Musical Euterpe Piquetense ia tocar na festa de São José. O serviço musical constava de alvorada, leilão durante o dia e procissão à tarde, isso tudo lá na Vila "Braga" como era denominada a Vila São José.

Mas para falar a verdade, a Banda não estava boa. Vários músicos tinham saído para procurar no exército melhores vencimentos. A rigor, só tínhamos dois dobrados batidos e rebatidos. Seus nomes eram "Primor" e "Retirada do Chá". Mas eram tão batidos, mas tão batidos que diziam - até os cachorros os sabiam de cor.

Reunidos os músicos na sede da Corporação Musical, rumamos de madrugada com destino à Vila. No caminho comentamos a crise que estávamos passando. Uma vergonha: a nossa Banda, que era o orgulho da cidade, ficar reduzida a dois dobrados!

Não! Precisávamos dar um jeito. O maestro tinha que trazer com urgência pelo menos uns quatro músicos. Foi então que o Zé Maria lembrou da história de que até os cachorros sabiam os nossos dobrados de cor.

Pois bem. Na chegada da Vila entramos em forma para o começo da alvorada. Dispostos os músicos nos seus devidos lugares o maestro deu a ordem:
- Atenção! Tudo pronto? Olha: Retirada do Chá.

O bombeiro bateu a pancada de advertência mas, antes de tocarmos o dobrado, um vira-lata postado na calçada começou a ganir no tom exato, o dito dobrado. Foi a conta.

Metade dos músicos começou a tocar. Os outros caíram na gargalhada que contagiou os que estavam tocando, ficando somente o baixista a marcar desajeitadamente uma música que não existia.

Autor: Carlos Vieira Soares
Fonte: "Piquete de meus Amores" de José Palmyro Masiero
Página formatada em 22 ago 2004

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