História de Natal

Hoje eu gostaria de falar de um Natal.
Morava na fazenda. Devia estar por volta dos sete anos. Lembro-me que em natais anteriores, deixávamos um sapato embaixo da cama e no Dia de Natal, pela manhã, nossos presentes lá estavam ao lado do sapato.

Não havia árvore de natal e outros símbolos natalinos. Esse Natal que guardo dentro de minhas lembranças foi especial, pois colocamos os sapatos debaixo das camas e no dia seguinte a surpresa: não havia presente.

Alguém então falou para irmos até a sala de visitas.
– Era o maior cômodo da casa, bem longe de nossos quartos e, bem num canto dela uma linda Árvore de Natal, feita de um galho de pinheiro que papai tinha trazido da serra.

Durante a noite, eles - papai e mamãe - a enfeitaram sozinhos, com bolas, algodão (imitando neve) e lâmpadas coloridas. Em volta dela, os nossos presentes.

O melhor presente, porém foi o deslumbramento e a emoção que tive com a minha primeira árvore de Natal. O presente, uma capa de chuva reversível, azul de um lado e vermelha do outro, com um gorro tipo boné, também ficou retido em minha lembrança, mas o que me vem realmente à memória é o ato de amor de nossos pais, proporcionando a surpresa da mais bela árvore de natal de nossas vidas.

Porque relembrar isso agora? Talvez por que considero que o Natal deste ano também vai ser especial em minha vida.

Ontem ao ver o sorriso de minha neta Manuela ao receber sua primeira bicicleta, relembrei o meu deslumbramento pelo meu primeiro Natal com árvore e, tenho certeza, daqui a muitos anos ela irá relembrar o Natal de ontem como um dos melhores de sua vida.

Ilce Nunes Pazzini
Natal de 2005

 

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