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Diálogo entre Piquete e a
Fábrica Presidente Vargas
(FPV/IMBEL)
Piquete: “Sabe Fábrica, desde que você parou de me ajudar com
tudo (festas, eventos, construções de patrimônios, empregos em grande
quantidade) que estou muito caída. Ainda não consegui me
reerguer”. Fábrica: “Ora Piquete, você precisa aprender a andar com as
próprias pernas. Não dava mais para eu continuar bancando tudo. Sempre
ofereci do bom e do melhor para você, mas chegou um determinado momento em
que a situação ficou crítica. Continuamos juntas, porém acabou a ‘fartura’
dos bons tempos”. Piquete: “Pois é, o maior problema está na herança
paternalista que você, Fábrica, deixou para o meu povo. Como dava tudo
antes, minha população acomodou-se a esperar e a ganhar de suas ‘mãos’.
Agora está muito difícil reeducá-los. O pior é que os políticos se acham
os ‘salvadores da pátria’ e sempre apresentam ideias com características
revolucionárias, mas acabam no ciclo vicioso de beijar as mãos de
deputados para a liberação momentânea de verbas”. Fábrica: “É Piquete,
esse problema é muito sério mesmo. Verba que chega esporadicamente e,
ratiada (pois é dividida por onde passa), dá um fôlego para aquele
determinado momento, mas não ensina o povo a construir seus próprios
mecanismos de funcionamento e de manutenção da economia. Em outras
palavras, é necessário ensinar a pescar e não a dar o peixe pronto. Mata a
fome na hora, mas e o dia de amanhã? Outra coisa: concordo com você que
meus antigos administradores são responsáveis pela origem e perpetuação
desse sentimento paternalista - realmente você, Piquete, sempre morou em
baixo da minha proteção. Hoje, ajudo como posso. O mundo se transformou
tanto que não estou mais no auge da produção explosiva. Dou o que posso
dar, pois ninguém dá aquilo que não tem”. Piquete: “Então, você chegou
ao ponto em que eu queria. Faz muitos anos, desde que sua produção
diminuiu drasticamente, que vivo das doações momentâneas. Não houve até
agora prefeito ou político algum que se preocupasse em ensinar o meu povo
a caminhar com as próprias pernas (a produzir, a gerar empregos, a
investir na educação e na cultura, a investir na cidade com a certeza do
desenvolvimento e do progresso). Todos os que já me administraram se
julgaram ‘salvadores da pátria’ no início, mas com o tempo mostraram que
ocupavam cargos eletivos para desenvolver suas particularidades. Estou
triste porque muitos jovens já me deixaram, pois foram tentar a vida em
outras cidades - e eles não estão errados. Já que eu não ofereço, foram
comer e beber em outras terras. Muitos com dor no coração, mas partiram
pela necessidade da vida”. Fábrica: “E agora Piquete? O que devemos
esperar do futuro? Minha vida também depende da sua”. Piquete:
“Gostaria muito que meus governantes, nesse momento, estivessem pensando e
trabalhando junto com a população pela melhoria da qualidade de vida. Como
eu queria ver meu povo feliz e satisfeito com resultados promissores na
cidade, como consequência do cuidado e do zelo pelas coisas públicas. Por
enquanto, choro ao ver a desgraça de políticos preocupados com cassação de
um e de outro. Estão sempre a procura de um rabo pra pisar - enquanto o
essencial continua morando na expectativa e na esperança do povo. Nosso
povo, Fábrica, precisa acordar e escolher administradores e não políticos,
pois ser político qualquer um pode, mas administrar é tarefa para quem
sabe e conhece”. Fábrica: “Estou com você! O povo precisa acabar com
essas ‘bombas’ vestidas de intelectuais que só enganam. Que nosso povo
seja iluminado em 2012 e saiba escolher ADMINISTRADORES E NÃO
POLÍTICOS!!!!”
Rodrigo Nunes Texto gentilmente
autorizado pelo autor, embora de 2012, sempre atualizado. E que São
Miguel Arcanjo zele pela sua
cidade! |