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CANÇÃO DO NOSSO
POUCO
No áspero da
calçada a mão murcha estendida; a flor humana fenecida no cimento
do desamor, sem pão, calor e vida.
Passamos e
olhamos, desculpas sob os braços. No peito o gosto amargo de uma
semelhança esquecida; nos passos uma
fuga apressada covarde consentida.
Nós tão longe
do próximo no frio pálido da indiferença! Ah, o mal que nos
dava, maior que a estética e o suor. Ah, o mal que nos
dava, maior que o saber e os pensamentos.
Em nós, a culpa
maior que nós mesmos! O silêncio ocultava o pouco que não
fizemos. Mas, se era pouco e a dor nos dói tão grande, por que
não fazer o pouco que podemos?
E juntos
dissemos: -Façamos! O grito ecoou de coração em coração. E
todos demos, e todos fizemos o pouco que podíamos.
O muito
conseguido agora é a soma do pouco de cada um: - Quanta coisa
podemos se nos dermos as mãos!
Hoje, no brilho
em nossos olhos, há a clara cor de um sorriso de paz... Foi salva
uma flor!
Lá fora, o
mundo carente de um viver maior de muito (muito
mais!) amor...
Sérgio L. Maduro Página formatada em 14 abr
de 2006 |