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Eu e
Você: Amor e Desamor
Conhecer você
foi descobrir o amor em cada gesto seu; mas, entregar-me a
você foi abandono e dor em cada sonho meu.
Você era
ideal. Jamais me trairia. Não me faria mal. Jamais me
deixaria.
Era você, perfeito, para amar e ser amado. Mas, o
nascer, mal-feito, destinara-me um fado.
Fui sua rainha e no
encanto da sua palavra decidi fazê-lo meu príncipe
encantado. Porque, como rainha, acaudilharia, sempre, a sua
realidade; e, como príncipe, seria você, sempre, meu sonho
acalentado!
Amei um ser que idealizei e travesti de você. Ao
rolar no leito da paixão, embolava minha ilusão na sua
realidade, sem perceber a indiscrição e mal-querença... Rolei e
embolei minha alegria e pureza, na amargura e
desconfiança acorrentadas em seu coração.
De teimar,
consegui! Fi-lo entender meu amor. Mas, ironia... assimilei-lhe o
desamor. E, assim, tão de repente, temi o dia seguinte, passando
a ser cuidadosa no momento seguinte.
Aos poucos desapaixonei-me
pelo amor... Enxerguei e ouvi a realidade.
O som da voz que
vociferava minha insuficiência, calou-se... Eu a calei. E tudo
aquilo que parecia verdade incontestável, passou a ser
mentira.
De doce, fui mordaz. De pura, despertei o
ímpio. Aceitei a maldade, como algo humano. Fui improficiente diante
da inverdade.
Existem mentiras inocentes para quem jamais
mentiu nem grande, nem pequeno?
Reconheço, agora: pequei pela
verdade. Seu mundo real, doloroso, clamava, irreal, pelo
sonho mentiroso.
Mas, nos amamos tanto!!! Minha limpidez
foi o átrio da mentira que você precisava encontrar. Sua realidade
foi tudo aquilo que sempre me neguei a ver e que se apôs a
mim, através do meu próprio amor.
Ensinei-o, enfim, a
amar, e, de você, assimilei a desconfiança e o
desamor... Lastimavelmente, para nós dois, fomos, ambos,
bons alunos e dedicados mestres.
Na ânsia imaculada de ter
você e seu amor, eu os perdi aos dois. E, agora, sinto
falta do amor e falta de você!
Assim, para aplacar a
imensa frustração de não conseguir a sintonia de você, abraço-me aos
prazeres incontroláveis de orgasmos intelectuais, quando, na
realidade, meu desejo permanece adormecido na paixão daquele amor
defeituoso...
Sílvia
Mota Página formatada em 01 mar
2006 |