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MÃE
Eu queria escrever um poema que retratasse a figura doce e
terna de minha mãe. Um poema que lembrasse a alegria pura que
sentia nos dias de festa.
Páscoa... Família reunida. Ovos de
chocolate, paçoca e pinhão. Mamãe trabalhava, sorria,
rezava!
Um poema que lembrasse as noites de
Natal! Presépio armado... Família reunida. Missa do Galo... Ceia...
Papai Noel... Presentes... Mamãe trabalhava, silenciava,
rezava...
As sementinhas da romã, na passagem do
ano, apelando aos Santos Reis, prosperidade. Superstições... Mamãe
não acreditava. Mamãe calma, contrita, rezava!
Um poema que
lembrasse o Dia das Mães! Festa! Alegria! Ternura... Mamãe
sorria, agradecia!
Eu queria escrever um poema que na memória
avivasse a figura saudosa de minha Mãe. As noites mal
dormidas. As madrugadas despertadas velando o sono dos
filhos.
Um poema que dissesse verdades sobre sua grande
capacidade de contornar situações difíceis! Mãe sábia,
bondosa, firme, tranqüila!
Eu queria escrever um poema que
contasse sua vida: a sua vida de Mulher, Esposa e Mãe. Um poema que
ultrapassasse fronteiras...
Chegasse ao infinito para agradecer ao
Senhor a maravilhosa riqueza do amor de minha Mãe. Seus exemplos
dignificantes, trago-os, bem vivos, entranhados no meu
coração.
Eu queria escrever um poema mas meu pensamento
dispersa, as palavras fogem!... É muito difícil descrever, com
fidelidade, a figura de minha Mãe!
Que presunção a
minha!... Ela merece o poema mais perfeito, os versos mais
rimados. Um poema-canção que, em versos, cantasse a música dos
justos.
Que presunção a minha!... Eu queria escrever um
poema que falasse da saudade e da eternidade das coisas que não
voltam, mas que não morrem jamais.
Eu queria escrever um
poema e ofertá-lo neste Domingo de Maio, quando o outono começa a
mostrar seus primeiros indícios de frio. Frio de saudade! Frio
de ausência, solidão...
Eu só
queria escrever um poema...
Eunice Fernandes Página formatada em 28 jul
2004 |