|
Meu recanto
Fui morar
num lugar esquisito, onde o silêncio fala, onde o sorriso chora,
onde a morte nasce e onde a vida não consegue morrer.
Fui morar
nesse lugar engraçado onde não enxergo meu corpo, onde flutuo sem
sair do chão, onde falo sem emitir sons.
As notícias são lidas
nas estrelas, a música é o bater do coração, o sonho é a vida
respirada a cada momento e o momento é toda a continuidade de
pensamentos.
As estátuas que fiz são mais humanas do que os
humanos de onde vim. Ficam caladas ouvindo meu estranho silêncio e
sinto choro sem lágrimas naqueles olhos de pedra que não
vêem.
Fui morar naquela rua onde você não
passa, naquela casa sem número da rua sem bairro e sem
cidade.
Fui morar no calado barulhento das palavras que não
consigo tirar fora do meu imenso baú feito de massa
cinzenta.
Num recanto triste da minha própria
vida estrangulei meus sonhos e na saudade do seu carinho adormeci
meu sexo. Enrosquei meu corpo no esperma endurecido dos lençóis e
num recanto triste, da minha própria vida, enfiei as mãos nos meus
sentidos e não pude mais sentir você no meu prazer...
Sílvia
Mota Página formatada em 01 mar 2006
|