Natais
(Em memória de D. Leonor Guimarães)

Natal era o dia,
não a véspera.
Os pontos somados garantiam
a escolha dos brinquedos.
Freqüência à missa e ao catecismo
- a norma pela qual se garantia
a competência na escolha.

Tudo muito controlado.
A lista dos nomes classificava
os pontos de papelão
passados de mão em mão...

Temático, o presépio assistia
engalanado de verdes matos e rubras luzes.
Lamparinas em óleo.
Lâmpadas veladas em folhas de celofane.
Festões.
O papel imitando a lapa,
singelas figuras baratas.

Na lista dos nomes, o melhor colocado.
Qual o melhor presente?
Opiniões divididas.
A competição grassava.
Disputas vorazes.
Prêmios de consolação.
Choro, mágoas, invejas mordazes.
Promessas para o próximo ano.

Todos se igualavam nos saquinhos de doces.
Secos, murchos, mas doces,
de melhor ou pior qualidade.
Mas, naquele momento,
doces alguns davam travo de amargor,
de tão doces.

Dóli de Castro Ferreira
Página formatada em 17 jul 2004

 

 

 

 

Envie esta página para:

Digite o seu e-mail

Coloque seu nome

E-mail de quem a receberá

 

voltar