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Natais (Em
memória de D. Leonor Guimarães)
Natal era
o dia, não a véspera. Os pontos somados garantiam a escolha dos
brinquedos. Freqüência à missa e ao catecismo - a norma pela qual se
garantia a competência na escolha.
Tudo muito controlado. A
lista dos nomes classificava os pontos de papelão passados de mão em
mão...
Temático, o presépio assistia engalanado de verdes matos
e rubras luzes. Lamparinas em óleo. Lâmpadas veladas em folhas de
celofane. Festões. O papel imitando a lapa, singelas figuras
baratas.
Na lista dos nomes, o melhor colocado. Qual o melhor
presente? Opiniões divididas. A competição grassava. Disputas
vorazes. Prêmios de consolação. Choro, mágoas, invejas
mordazes. Promessas para o próximo ano.
Todos se igualavam nos
saquinhos de doces. Secos, murchos, mas doces, de melhor ou pior
qualidade. Mas, naquele momento, doces alguns davam travo de
amargor, de tão doces.
Dóli de Castro Ferreira Página
formatada em 17 jul
2004 |