Cantiga Outonal
(dedicada aos companheiros de caminhada)

Manhã de Outono. Brumas.
As ruas se enturvam.
A serra azul em neblina.
Choram as árvores. Folhas caídas.
A raiz guarda a seiva
na previsão do amanhã.

No ocre outono matinal
de cada dia: "Bons-Dias".
Esperança que vai e vem.
"Cooper". Passos largos e tropeços
sorvendo o ar puro do além.
É a passarela da vida:
antiga linha do trem.

Cheiro gostoso do mato verde.
Bem picadinha, a grama é aparada,
atapetando poeticamente o caminho.
Mistura-se às folhas, já descoradas,
que o vento sopra, de mansinho,
e embriaga de perfume a caminhada.

Às margens da longa passarela
"Estrela do Norte", a estação,
pelo tempo desbotada,
conta histórias de bagagens e viagens.
Da "Casa do Ponto" e da "Amizade"
meu pai da janela acena.
"Feed back", lenço do adeus, da saudade.

Majestosa Casa Um, do diretor
da Fábrica, hoje restaurada.
Beleza arquitetônica emoldura
a paisagem verde: traz lembranças.
Arquiva, talvez, sonhos frustrados
de muitos operários, nossos antepassados.

Crianças, esperança do amanhã.
 Mochilas às costas, rumo à escola.
Umas apressadas,
outras em lentos passos,
pulando, brincando, saltando, cantando...
Encontro de gerações: o ontem e o hoje
revivendo lembranças; sonhando futuro.

Pássaros em rapsódias outonais sobrevoam. 
Ventos carregados de saudades.
Escola Industrial, em fragilidade,
desnudada,
habitada por fantasmas 
das engrenagens das máquinas; 
ruidos, alaridos estudantis.
Profissionais capacitados;
mestres abnegados.

Na nostálgica caminhada
o antigo prédio do Contingente,
restaurado; hoje, sede da Imbel.
A Usina Hidrelétrica Rodrigues Alves,
mui bela.
Do século, monumento arquitetônico,
já a retratei em óleo sobre tela.

Casas antigas caiadas de branco.
A chuva pasma em telhados de zinco, 
com suaves canções de ninar.
O vento outonal ousa, em fúria,
adentrar nas casas, sem licença,
cavalgando esperanças...

Reminiscências... 
A nuvem caseira familiar,
como brisa, recebe os caminhantes.
A vida é festa e alegria
no outono de minha cidade 
- Poesia.
A solidão de frutos sem folhas
preludia o inverno por chegar...

Eunice Fernandes
Página formatada em 28 jul 2004

 

 

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