Piquete

Piquete lindamente esverdeada
que mora menina no meu coração.
Piquete de ouro.
Piquete de prata.
Piquete de imensidão.
Piquete de gente brava,
de gente que leva montanhas na alma.

Piquete que é homem,
que é feito de ferro e aço,
de sonhos coroados de suor,
de corações formados por carne piquetense.
Por entre nossos olhos molhados de verdes matas
escorre uma corrente de mãos,
que amiga toda a cidade.

Do alto da serra até o limite do amor
(que é sem limite)
nossos lábios continuam selados à terra que amamos,
colados ao povo varonil que somos.
Piquete tem lixeiro, padeiro, prefeito,
general, operário, homem que sofre
e que pouco sofre.
Piquete é um mundo pequeno
que vive dentro de um vasto mundo.

O que me encanta nesta cidade
são os barulhos maviosos da manhã:
o barulho do leite molhado de aurora;
o barulho do pão quente;
o barulho dos pássaros com asas de fome;
o barulho do trenzinho cotidiano,
que vem apitando e gemendo de frio;
o barulho da fábrica, que sobe rolando
nas bicicletas dos operários;
os barulhos que quebram a crosta escura da noite.

Itabaquara                                            
Ronco                          
     Tabuleta               
  Marins                                   
Benfica.                      
São bairros longínquos, são crianças descalças,
que mamam do seio piquetense.
O riacho que corta manhosamente a cidade,
está molhado de verdes reflexos das nossas matas.
Esta é minha doce Piquete,
que se encontra plantada como estrela
no meu coração.

Dujovânio J. da Silva
Colégio Guimarães Rosa - 2º lugar
Concurso Literário CIDADE DE PIQUETE
26 de setembro de 1971
Página formatada em 11 jul 2004

 

 

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