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Piquete sem Surpresas
Piquete almofadada entre
montanhas. Piquete, apenas tu possuis a calma, o olhar manso
dos dias sem surpresas. A Procissão do Santíssimo com seus tapetes
de ternura simples. Cabeças baixas acompanham a procissão. Relembram
castamente outras procissões tão iguais, tão sem
surpresas...
Sem surpresas o trenzinho de operários que chega
todo dia. Os mesmos rostos, a mesma marmita, o mesmo olhar de
encontro sem resultado... Sem surpresas as bicicletas
operárias que levam e trazem todo dia esperança e
desencontro...
Sem surpresas os filmes de mocinho onde
morre o bandido. Sem surpresas os namorados que se vêem à mesma
hora, na mesma pracinha... Sem surpresas o Sol que nasce, o sorriso
que surge ou não surge... O rio que se joga a si mesmo nas
pedras.
Sem surpresas o luar que desponta não se sabe de
onde... Mas, para que saber se tudo são não
surpresas? Porisso os meus olhos, sem surpresas, foram deixados
em Piquete sozinhos...
Vera
Lúcia Machado - 1971 Página formatada em 17 jul
2004 |