Réquiem a um Ribeirão

Outros tempos,
idos tempos, d'eu menino-criança
hidrovastidão...
Tempo de hoje,
carcomido pelo passar-vida,
resta-lhe um fio d'água.
Apenas um fio - fim - de - vida
desce - serra - lodo - prantoso,
somando cá em baixo,
outras tantas mágoas
à sua dor - mecida.

Catastrochentes uniram
seu leito às ruas,
 e seu destino passante
fez casas - bares flutuantes.
Rio - fúria... Vende o homem!
Tratores. Pás. Enxadas.
Manivelas. Mãos - pés.
Rio... muralhas de pedras... rua.
Fim de perigo!
Homens - rio...Vence o tempo!

Resta apenas um córrego.
Sol - verão - calor - alegria
- prisionáguas -
piscinas fluviais.
Fim de valor - fim das "prainhas".
Novamente resta um fio d'água
morrente a cada dia!

Vencido pelo homem - tempo,
Rio Benfica -
vencido pela vida!

Carlos Alberto Caetano
1º lugar - POESIA
Curso Colegial Guimarães Rosa - 2º ano
Publicado na "Folha Piquetense" de  26 de setembro de 1971

Background executado a partir de uma foto de LETY

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