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Banzo
Minha terra,
sem palmeiras, exibe mil bambuzais que ao som do vento
balançam. Ao reclinar sobre o leito minha face envelhecida, eu
chupo canção de amora nas palavras florestais vindas no canto
brejeiro desse pequeno sabiá.
Minha terra, sem limites, é
cercada, toda inteira, pela Serra Mantiqueira. Subo essa vida
pequena pela goiabeira da Vida e, na pontinha dos pés, enxergo
tudo que alcanço bem na avidez dessa infância, que no final da
fronteira feita de sol e de céu, de neblina ou cerração, jamais
será transportada dos limites da ilusão.
Minha terra, sem
palmeiras, minha terra, sem limites, minha terra, tem
perdão, pois eu fugi da sua força que me detinha em prisão. Minha
terra, eu precisava, procurar sonho de vida aprisionado na
Vida, num engodo do destino, longe dessa proteção.
Minha
terra, era preciso, sacudir toda essa infância,
grudada, teimosa, insana, na
paisagem do fadário e deixá-la descansando no seu berço
visceral.
Minha terra, eu hoje choro, o choro da
despedida que só você me entregou nas estradas percorridas no
rumo à libertação. Minha terra, eu hoje choro, com saudades das
esquinas, da rua de baixo e a de cima, do parque, do bangalô, das
retretas aos domingos, do portão da minha casa donde jamais
consegui em lugar nenhum do mundo sentir-me tão
protegida.
Minha terra, hoje confesso, descalçada de
pureza, agarrada na esperança e perdida tal a criança que num dia
lhe machucou, ter jamais nunca entendido qual o segredo
afinado desse som inexplicável, desse vai e vem incessante do
vento dançando forte, nesta terra sem palmeiras onde canta o
bambuzal. Minha terra, sem limites, é cercada, toda inteira, pela
Serra Mantiqueira.
Sílvia Mota
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