CONTOS DE CAROCHINHA DOS ANOS DOURADOS

Menina tão loura, cachinhos sambando,
de pele rosada, sorriso brilhante,
ouvia contente, bem meiga e dengosa
se alguém lhe dizia: -" É linda a menina.
Será bela moça, garbosa e gentil.
Um bom casamento fará com certeza
e filhos bem lindos ao esposo dará..."

Mocinha cheirosa, cabelos dourados,
dançantes ao vento...
Olhares compridos prá o jovem galante
na esquina a esperar...
Tão lindo ele era, tão rico e viril.
Por certo sua vida com ele seria
um sonho perpétuo de luzes e brilhos,
perfumes e cores, venturas sem fim...

Noivinha tão linda, por dentre os seus véus
brilhava a ventura!
Tão branca e gentil, cabelos bem louros.
- "Que filhos tão lindos,
que vida feliz, por certo o destino
aos dois legará..."

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Na noite sem lua, sozinha, com frio,
a pobre mulher só faz soluçar...
Perdeu o seu brilho, a pele enrugou;
cabelo tão seco, bombril se tornou...
Fechou-se o sorriso. Na face assustada,
as marcas do tempo não deixam mais ver
a menina bem loura, de boca rosada,
sorriso a bailar...

Mocinha cheirosa de sonhos tão feita...
Noivinha de branco, tão meiga e gentil,
tão virgem e pura. Tão doce mocinha...
Hoje, pobre mulher sem viço e sem graça,
chocou-se com a vida...
Quebrou-se com o vento...
Pensava que a vida era só de perfume.
Julgava que o mundo era um sonho perfeito...

Tão pouco aprendeu!
Sabia de rendas, babados e fitas;
de doces e tortas, de boas maneiras.
Bordava e pintava seus sonhos dourados.
- Um nada aprendeu prá o mundo de agora...
Não tem profissão nem gosta de livro.
Trabalho pesado não sabe fazer.

Perdeu o marido; com outra se foi.
Ficou triste e só sem nada saber.
Perdeu a beleza que o tempo levou.
Ficou triste e só sem nada valer.
Seu sonho acabou; a esperança perdida
ficou num vazio, sem nada entender...

À linda menina, à moça cheirosa,
à noiva elegante, ninguém ensinou
que o brilho se apaga,
que a juventude se esvai,
que a beleza se acaba... 
É preciso ser forte, lutar e vencer.
Seu trajeto no mundo traçar e crescer...

Não só colorido, nem festa e perfume.
É preciso existir com toda a pujança.
Não basta ter sonhos com rendas e fitas...
É preciso ter fibra, a vida encarar.
Não dá prá ser mais somente uma esposa,
nem moça dourada ou noivinha gentil...
Jazer encostada sem luta e esforço...
É preciso ser hoje, realmente MULHER!!!

Autora: Mª Auxiliadora Mota G. Vieira (Maux)
"Poemas de uma Vida"
Página formatada em 31 mar 2003

 

 

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