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Um
Poema para a Julinha
Nos meus
sonhos perdidos de menina - entre sedas e cores enfeitada, no
harém de um sultão - imaginava ser deslumbrante odalisca e,
envolta em véus, perfume e sedução, a única paixão do meu
senhor...
Tinha
minhas bonecas, sim, tão lindas... Gostava de abraçá-las, de
mimá-las, mas não como bobinhas pequeninas. Conversava com
elas, tão amiga... Eram minhas ouvintes confidentes. Seus
sorrisos de louça apoiavam meus planos.
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Já
vai longe este tempo... Vejo agora que ali já se esboçava este
meu estranho jeito de ser mãe, esta minha diferente forma de
ninar. Este grande desejo de poder não ser só mãe, mas amiga e
companheira.
É
verdade! Sonhei com a pequenina que eu teria nos braços para
amar - mas é também certo que eu buscava uma companheirinha
prá brincar...
Agora, já
dez anos faz que eu tenho perto de mim a minha caçulinha. Tão
maluca e tão doce, tão querida e estouvada; tão risonha e
presente, tão dengosa e macia... Transforma a realidade em sua
fortaleza.
Dez anos,
minha filha, completa você hoje. Há dez anos o Sol me mandou um
seu raio prá brincar e brilhar junto ao meu coração. Já dez
anos, Julinha, que você vive agora. Há dez anos, querida, a vida
me entregou o presente mais lindo que eu podia
sonhar.
Você não
é somente uma filhinha, nem é mesmo prá mim mais uma
bonequinha. Inteligente, viva, alegre e sorridente; tão
prática, direta e objetiva, mas meiga e doce - você é
feliz. Tão linda, tão querida, minha Beatriz.
Somos todos felizes só em ter juntinho a nós,
você, contagiante. Desde o seu nascimento, a alegria chegou
prá nós e nunca mais partiu. Já dez anos, filhinha! Eu
desejo que o mundo continue a lhe sorrir, que a vida possa
sempre lhe doar todas as suas venturas e
aventuras.
Seja
feliz, minha pequena Júlia. Ame, deseje, sonhe, realize. Não
tenha peias, não coloque algemas e, sobretudo, nunca tema
nada.
Você é
linda, forte, encantadora. O mundo será seu, basta que você
queira. Enfrente a vida e lute por seus sonhos. E ame, Júlia,
ame e seja amada, pois nada tem sentido sem o amor. A vida sem
alguém de nada vale...
Seja
feliz, minha querida Júlia. Seja prá sempre a minha
companheira. Não quero ser só mãe, sou sua amiga. Quero rir
das loucuras que fizer, vou apoiar seus sonhos e seus
planos e, no fim, ser avó de seus pequenos...
Autora: Mª Auxiliadora Mota G. Vieira (Maux) "Poemas
de uma Vida" Poema escrito em 19 dez 1990 Página formatada em
13 mar 2005
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